Concentração de terras raras da China impulsionam nova aliança comercial

A concentração, produção e manipulação de terras raras da China impulsionam uma nova aliança entre EUA, União Europeia, Japão e México, voltada à coordenação comercial e ao redesenho das cadeias globais de minerais críticos. Continue lendo e saiba mais.
Terras raras da China em mina a céu aberto usada na extração de minerais estratégicos
Parceria entre EUA, União Europeia, Japão e México busca reduzir a dependência global das terras raras da China e reorganizar cadeias estratégicas. (Foto: Ilustrativa)

Nesta quarta-feira (04/01), terras raras da China passaram a orientar uma nova articulação entre Estados Unidos, União Europeia, Japão e México, que anunciaram uma parceria estratégica voltada à coordenação das cadeias de suprimento de minerais críticos. A iniciativa, portanto, busca reduzir vulnerabilidades associadas à elevada concentração produtiva e industrial chinesa desses insumos

A leitura comum entre os países envolvidos é que a atual estrutura do mercado expõe setores sensíveis a riscos geoeconômicos. Portanto, segundo os aliados, a oferta vinculada às terras raras da China domina etapas decisivas, como processamento e refino, afetando segmentos ligados à transição energética, à indústria tecnológica e à defesa mundiais.

Terras raras da China e a coordenação transatlântica

No eixo entre Washington e Bruxelas, Estados Unidos e União Europeia anunciaram o compromisso de concluir, em até 30 dias, um memorando de entendimento sobre minerais críticos. O documento deve criar parâmetros de cooperação regulatória, alinhamento comercial e incentivos industriais.

Segundo a declaração conjunta, o entendimento busca reduzir a exposição estrutural às terras raras da China, sem detalhar metas quantitativas ou instrumentos específicos nesta etapa. Portanto, o foco inicial está na criação de um arcabouço político que permita decisões coordenadas no médio prazo.

Reorganização da cadeia de minerais críticos

Entre os instrumentos em avaliação estão mecanismos como preços mínimos e subsídios direcionados, citados como formas de mitigar diferenças de custo frente à produção asiática. Os signatários avaliam que a atual formação de preços limita a viabilidade econômica de projetos fora do circuito chinês.

O Japão participa como economia industrial dependente de fornecimento estável desses minerais. O México, por sua vez, assume posição operacional relevante, ao integrar cadeias produtivas norte-americanas e ampliar alternativas regionais às terras raras da China.

O que são terras raras e por que elas importam

Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos usados em cadeias industriais de alto valor, como energia renovável, mobilidade elétrica, eletrônica avançada e defesa. Embora não sejam escassas, dependem de processos complexos de separação e refino, hoje concentrados em poucos países, o que torna o fornecimento um tema sensível para políticas industriais.

No Brasil, por exemplo, o debate envolve potencial ainda pouco explorado. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME) o país possui reservas conhecidas de terras raras, mas participa de forma limitada das etapas de beneficiamento e processamento. Isso reduz a captura de valor e mantém o país à margem das cadeias mais sofisticadas, em um cenário global ainda condicionado pelas terras raras da China.

Terras raras da China no redesenho produtivo

No plano bilateral, Estados Unidos e México anunciaram a elaboração de um plano de ação em até 60 dias. O documento deve propor políticas e mecanismos comerciais coordenados para mitigar fragilidades na cadeia de suprimentos de terras raras.

Analistas de política industrial avaliam que a iniciativa reflete uma mudança institucional mais ampla. Ao estruturar alianças formais, os países sinalizam a intenção de reduzir a dependência das terras raras da China, sem ruptura imediata do comércio, mas com alternativas graduais de fornecimento.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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