Tarifas sobre aço entram na conta eleitoral dos EUA

As tarifas sobre aço, que podem chegar a 50%, estão no centro da disputa eleitoral nos EUA, impactando setores como a indústria automobilística e o mercado imobiliário. A decisão sobre essas alíquotas pode ser crucial para a arrecadação federal e a satisfação popular. Descubra como essa política se relaciona com a estratégia eleitoral do país.

As tarifas sobre aço de até 50% impostas pelo governo dos Estados Unidos voltaram ao topo da agenda política em plena corrida para as eleições legislativas de novembro. A possível revisão das alíquotas ocorre sob pressão do custo de vida, com reflexos diretos sobre bens industriais e consumo doméstico.

Embora as sobretaxas tenham ampliado a arrecadação federal, o efeito foi sentido no varejo. Segundo Felipe Machado, analista de finanças do Times Brasil, 90% do impacto em produtos de alto valor agregado foi absorvido pelos consumidores.

Tarifas do aço e repasse ao consumidor

O encarecimento das matérias-primas alcançou setores estratégicos da economia americana. A indústria automobilística e o mercado imobiliário dependem de aço e alumínio em suas cadeias produtivas, o que amplia o alcance da política tarifária.

Machado citou como exemplo o aumento de 12% no preço de máquinas de lavar em 2025. Segundo ele, a alta se conecta ao encarecimento dos insumos metálicos. “Embora as tarifas tenham gerado receita para o Tesouro americano, o custo foi majoritariamente repassado aos consumidores”, afirmou.

Além disso, reportagem do Financial Times aponta que o custo de vida deve influenciar o comportamento do eleitorado. Pesquisa Reuters/Ipsos mostra que 30% aprovam a condução de Donald Trump sobre o aumento de preços, enquanto 59% desaprovam.

Política tarifária e estratégia eleitoral

Trump impôs no ano passado tarifas de até 50% sobre importações de aço e alumínio e tem utilizado as sobretaxas como instrumento de negociação comercial. Agora, a eventual redução surge como alternativa para aliviar a inflação ao consumidor.

Para o analista, ajustar a tributação “faz sentido econômico e político”, pois influencia diretamente o orçamento das famílias. A decisão final, segundo ele, deve equilibrar arrecadação e apoio popular.

Ao mesmo tempo, a revisão das tarifas sobre o metal abre espaço para efeitos externos. O Brasil é o segundo maior exportador de aço e alumínio para os EUA e registrou queda de 6,6% nas exportações em 2025, equivalente a US$ 2,4 bilhões não comercializados.

Tarifas do aço e reflexo no Brasil

A retração no comércio bilateral ocorreu após a elevação das alíquotas. Caso haja redução, exportadores brasileiros podem recuperar competitividade no mercado americano.

Contudo, o governo dos EUA enfrenta um dilema. Manter as tarifas do aço preserva receita e discurso protecionista; reduzir as taxas pode aliviar preços e responder à insatisfação captada pelas pesquisas. Em ano eleitoral, a política comercial se converte em variável direta do custo de vida — e as tarifas sobre o aço passam a integrar o cálculo político da Casa Branca.

Foto de Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr. é jornalista e empreendedor, fundador do Sistema BNTI de Comunicação. Integra a equipe editorial do J1 News, com produção de conteúdos e análises voltadas às editorias de política, economia, negócios, tecnologia e temas de interesse público. Também atua editorialmente no Economic News Brasil e no Boa Notícia Brasil.

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