BNDES libera R$ 7,5 bi em renegociação de dívidas rurais

A renegociação de dívidas rurais somou R$ 7,5 bi via BNDES, com foco em produtores afetados por perdas climáticas, reduzindo risco de inadimplência e impactos no crédito agrícola.
renegociação de dívidas rurais aprovada pelo BNDES
Programa alcançou 27.796 contratos em 22 Estados. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

A renegociação de dívidas rurais ganhou escala nacional após o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovar R$ 7,5 bilhões em operações. A linha, abastecida com recursos do Tesouro Nacional, totalizava R$ 12 bilhões e ficou aberta entre 16/10/2025 e 10/02/2026, com base na Medida Provisória 1.314.

Ao todo, foram firmadas 27.796 operações em 754 municípios de 22 Estados. Já o tíquete médio atingiu R$ 270 mil. Portanto, o programa alcançou desde pequenos agricultores até produtores de maior porte, todos impactados por perdas climáticas sucessivas.

Como funciona a renegociação de dívidas rurais

A renegociação de dívidas rurais atendeu produtores que registraram prejuízos em duas ou mais safras e que atuam em municípios com reconhecimento federal de adversidades climáticas. Nesse contexto, os recursos puderam liquidar ou amortizar crédito rural de custeio, operações de investimento e Cédulas de Produto Rural (CPR).

Além disso, 40% do orçamento foi reservado a agricultores familiares e médios produtores enquadrados no Pronaf e no Pronamp. Esse percentual corresponde a R$ 4,8 bilhões, valor integralmente contratado em 25.041 operações.

Linha do BNDES para crédito agrícola

Outros R$ 2,7 bilhões atenderam 2.755 operações de produtores fora do eixo Pronaf e Pronamp. Entretanto, o desenho financeiro manteve lógica semelhante: equalização de juros, alongamento de prazo e reorganização de passivos.

Com prazo de até nove anos para pagamento e um ano de carência, a estrutura ofereceu tempo para recomposição do fluxo de caixa. Portanto, renegociação de dívidas rurais buscou evitar que perdas climáticas pontuais se transformassem em inadimplência estrutural no campo.

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o programa permitiu que produtores reorganizassem suas contas e retomassem a produção. Ele afirmou ainda que a iniciativa contribuiu para a queda da cesta básica no segundo semestre de 2025, com reflexos na inflação, avaliação que depende da análise dos indicadores oficiais.

Efeitos da renegociação de dívidas rurais no sistema financeiro

A renegociação de dívidas rurais também altera o perfil de risco do sistema bancário exposto ao agronegócio. Ao deslocar parte do financiamento para recursos públicos, o programa tende a reduzir a pressão sobre carteiras de financiamento agrícola.

Instituições com grande presença no setor, podem se beneficiar caso a reorganização de dívidas no campo contenha a inadimplência no agro. Porém, esse efeito dependerá da recuperação das próximas safras e do comportamento dos preços agrícolas.

No ambiente de política agrícola, instrumentos de alongamento de débitos agrícolas tornaram-se recorrentes diante da volatilidade climática. Portanto, a renegociação de dívidas rurais sinaliza uma estratégia de estabilização do PIB agropecuário e da oferta de alimentos, com desdobramentos diretos sobre inflação e crédito.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

Veja também:

Algum fato relevante chamou sua atenção?

Envie fatos, registros e informações para análise da redação do J1 News.

Publicidade