A produção mineral metálica brasileira alcançou R$ 220,5 bilhões em 2024, segundo dados do Anuário Mineral Brasileiro 2025, divulgado nessa segunda-feira (09/02). O resultado concentrou 82% do valor total da produção mineral do país e manteve o Brasil entre os grandes exportadores globais do setor, com reflexos diretos sobre comércio exterior, arrecadação pública e política mineral.
O levantamento, elaborado pela Agência Nacional de Mineração (ANM), consolida informações do ano-base 2024 a partir dos Relatórios Anuais de Lavra (RAL). O conjunto analisado reúne 14 substâncias metálicas, além da grafita, incorporada por sua relevância industrial e energética, mesmo fora da classificação tradicional dos metálicos.
Produção mineral metálica e concentração econômica
Dentro da produção mineral metálica, o minério de ferro respondeu pela maior parcela do valor agregado, totalizando R$ 159 bilhões no período. A predominância do ferro reforça a dependência da mineração brasileira de commodities com forte demanda externa, especialmente nos mercados asiáticos.
Além do ferro, o anuário inclui grafita, cobre, alumínio, lítio, níquel, manganês, zinco e cromo, insumos associados a cadeias industriais ligadas à eletrificação, armazenamento de energia e manufatura avançada. Segundo a ANM, a leitura desses dados orienta decisões tanto do setor privado quanto da formulação de políticas públicas.
Para Mauro Sousa, diretor-geral da agência, “a mineração brasileira precisa ser compreendida a partir de dados, e não de percepções”. Ele afirma que o anuário funciona como base técnica para o debate público sobre o setor.
Comércio exterior e inserção internacional
O desempenho da produção mineral metálica também se refletiu na balança comercial. Em 2024, o segmento registrou superávit de US$ 42 bilhões, resultado de exportações de US$ 59,9 bilhões e importações de US$ 17,9 bilhões. Nesse contexto, China manteve-se como principal destino das vendas externas brasileiras e, ao mesmo tempo, como maior fornecedora de substâncias metálicas ao país.
Essa dupla posição evidencia uma relação comercial marcada pela complementaridade, mas também por dependência em etapas específicas da cadeia mineral. Para a superintendente de Economia Mineral da ANM, Inara Oliveira Barbosa, o anuário permite avaliar “o papel estrutural da mineração no desenvolvimento regional e na inserção internacional do Brasil”.
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Produção mineral metálica, arrecadação e regulação
No território nacional, mais de 270 minas estiveram em operação em 2024, sendo 109 dedicadas ao minério de ferro. A atividade gerou retorno fiscal por meio da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), cuja arrecadação somou R$ 7 bilhões no ano.
A ANM também ampliou a base regulatória do setor ao conceder cerca de 4.800 autorizações de pesquisa, 56 concessões de lavra e 141 permissões de lavra garimpeira. Esse conjunto de autorizações sustenta a continuidade da produção mineral metálica e antecipa disputas econômicas e institucionais sobre o uso estratégico dos recursos minerais nos próximos anos.