A portabilidade de crédito, serviço regulado pelo Banco Central e operado dentro da infraestrutura do open finance, passou a funcionar de forma totalmente digital a partir desta semana, permitindo a troca de empréstimos entre bancos diretamente pelos aplicativos das instituições financeiras.
Até agora, a troca de um empréstimo entre instituições levava de 20 a 25 dias fora do ambiente integrado. Com a nova funcionalidade, porém, o processo pode ser concluído em até cinco dias úteis, incluindo prazo para contraproposta do banco de origem e a liquidação da operação. Fator que, portanto, encurta o ciclo de decisão do consumidor.
Portabilidade de crédito e o novo fluxo digital
Nesta etapa inicial, a portabilidade de crédito está disponível apenas para operações de crédito pessoal sem consignação, modalidade sem garantia conhecida no mercado como “clean”. O pedido ocorre no aplicativo do banco de destino, com autorização para o compartilhamento de dados financeiros.
O cliente, então, visualiza os contratos elegíveis, compara taxa de juros, valor das parcelas, prazo e custo total do contrato, além de poder baixar o documento antes da assinatura digital. Além disso, o aceite da operação ocorre por token, biometria ou autenticação via SMS, conforme o padrão de cada instituição.
Concorrência, juros e leitura econômica
Segundo Ana Carla Abrão, presidente executiva da Associação Open Finance Brasil, a troca estruturada de dados por meio da portabilidade de crédito tende a ampliar a concorrência entre os bancos. Ela avalia que o crédito sem garantia apresenta hoje forte dispersão de preços, com juros mensais entre 4% e 20%.
Por outro lado, a portabilidade de crédito cria condições para que o consumidor identifique economias reais ao comparar ofertas padronizadas. A leitura, portanto, é que a pressão competitiva pode reorganizar a precificação, sobretudo em linhas sem ativos vinculados, onde o risco costuma ser maior.
Open finance e próximos passos da portabilidade de crédito
O open finance, criado pelo Banco Central, permite o compartilhamento padronizado de dados bancários, de empréstimos, investimentos, seguros e previdência, sempre mediante consentimento. Lançado em fevereiro de 2021, o sistema soma cerca de 100 milhões de autorizações ativas.
Além da troca de crédito entre bancos de forma digital, a associação projeta a inclusão gradual de novas modalidades, como crédito imobiliário e consignado do INSS, previsto para novembro de 2026. A expectativa institucional é que a portabilidade de crédito acelere a adesão ao sistema e redefina a relação entre consumidor, bancos e ofertas de financiamento.