Petrobras na Venezuela entra na agenda de diálogo Lula-Trump em Washington

Retorno da Petrobras na Venezuela deve entrar na pauta da reunião entre Lula e Trump em Washington, em meio à reorganização política em Caracas e à disputa energética que envolve também Cuba. Saiba mais.
Foto de encontro entre Lula e Trump, que deverão discutir Petrobras na Venezuela em futura negociação diplomática
Reunião em Washington deve incluir debate sobre energia e atuação da Petrobras na Venezuela (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

A volta das operações da Petrobras na Venezuela deve entrar oficialmente na pauta da reunião entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, prevista para a segunda quinzena de março, em Washington. Segundo a apuração da CNN Brasil, o presidente brasileiro pretende discutir a possibilidade de a estatal retomar operações de exploração e produção no país vizinho.

A conversa ocorre em um contexto de reorganização política em Caracas e de reavaliação da política energética dos Estados Unidos para a região. Além do petróleo venezuelano, Lula também pretende tratar da situação de Cuba, afetada por tarifas americanas sobre países que fornecem combustível à ilha.

Petrobras na Venezuela e o histórico de saída

A Petrobras atuou na Venezuela nos anos 2000, por meio de subsidiária local e acordos de exploração conjunta. A saída da estatal, porém, ocorreu dentro de um processo mais amplo de desinvestimentos internacionais. A companhia reduziu operações fora do Brasil para priorizar ativos considerados mais rentáveis, sobretudo no pré-sal, e diminuir exposição a riscos políticos externos.

Ao mesmo tempo, a Venezuela mergulhava em colapso econômico, hiperinflação e isolamento diplomático. As sanções impostas pelos Estados Unidos e por países europeus restringiram operações financeiras e dificultaram a presença de empresas estrangeiras no setor de exploração e produção.

O novo cenário político e regulatório

Agora, o tema Petrobras na Venezuela ressurge em um contexto distinto. Após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos e a reorganização do poder em Caracas, o governo liderado por Delcy Rodríguez sinalizou disposição para conceder maior influência estratégica a parceiros internacionais na exploração petrolífera.

Segundo a apuração da emissora, Trump tem estimulado empresários americanos e estrangeiros a considerar investimentos no petróleo venezuelano. A eventual inclusão da Petrobras nessa equação dependeria de respaldo político e de um ambiente regulatório previsível.

Petróleo, Washington e a equação Cuba

Além disso, a discussão sobre o retorno das operações da Petrobras na Venezuela ocorre dentro de uma conversa mais ampla sobre energia e estabilidade regional. Para os Estados Unidos, ampliar a oferta venezuelana pode influenciar o equilíbrio da oferta global de petróleo e preços internacionais.

Lula também pretende tratar da situação de Cuba. As tarifas aplicadas pelos EUA a países que fornecem petróleo à ilha afetaram o abastecimento energético cubano e agravaram dificuldades econômicas, ampliando o alcance geopolítico da reunião.

Petrobras na Venezuela e os próximos passos

A reentrada da estatal brasileira no mercado venezuelano exigirá avaliação técnica e política. A empresa hoje concentra investimentos no pré-sal, ativo de alta rentabilidade e menor risco institucional, o que impõe critérios rigorosos para qualquer expansão externa.

Se a negociação avançar, a volta da Petrobras à produção de petróleo na Venezuela poderá reposicionar o Brasil na arquitetura energética sul-americana. O desfecho, no entanto, dependerá de alinhamento diplomático com Washington, segurança jurídica em Caracas e decisão estratégica da própria companhia.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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