Governo dos EUA autoriza cinco petrolíferas a reiniciar operações na Venezuela

EUA autorizam a retomada das operações de petróleo na Venezuela para cinco grandes petroleiras após anos de sanções. A decisão ocorre após mudança política no país e reabre espaço para investimentos no setor energético. Continue lendo e saiba mais.
Plataforma offshore representando operações de petróleo na Venezuela
As petroleiras BP, Chevron, Eni, Repsol, e Shell foram autorizadas a retomar operações na Venezuela. (Foto: Reprodução)

Os Estados Unidos autorizaram, nesta sexta-feira (13/02), a retomada das operações de petróleo na Venezuela, concedendo autorização a cinco petrolíferas multinacionais: BP, Chevron, Eni, Repsol e Shell. A decisão foi formalizada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão do Departamento do Tesouro. As licenças permitem transações ligadas ao setor de petróleo e gás sob condições específicas.

A liberação para novas operações de petróleo na Venezuela ocorre após a destituição e prisão de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro (03/01). Desde então, Washington passou a dialogar com o governo interino liderado por Delcy Rodriguez. O objetivo é reativar a produção energética venezuelana e reinserir o país no comércio formal de petróleo.

A Venezuela possui uma das maiores reservas comprovadas do mundo. No entanto, enfrenta forte queda de produção nos últimos anos. Infraestrutura deteriorada, restrições financeiras e isolamento internacional limitaram a capacidade operacional da indústria.

Por que as operações de petróleo na Venezuela foram interrompidas

As grandes petroleiras reduziram ou encerraram suas atividades principalmente após as sanções impostas pelos EUA em 2019. As medidas atingiram a estatal PDVSA e bloquearam exportações de petróleo, pagamentos e acesso ao sistema financeiro internacional.

Além disso, a legislação venezuelana exigia participação majoritária da PDVSA (Petróleos de Venezuela, S.A.), a empresa estatal de petróleo e gás da Venezuela, em joint ventures. Isso restringia autonomia operacional e repatriação de lucros. O ambiente jurídico instável, portanto, ampliou riscos regulatórios, afastou investimentos estrangeiros e, eventualmente, provocou redução drástica nas operações de produção de petróleo na Venezuela,

Como consequência, a produção recuou, projetos foram interrompidos e empresas passaram a evitar qualquer exposição a penalidades financeiras ou disputas contratuais. O que, por consequência, reduziu a capacidade técnica do setor e travou o acesso a capital internacional.

Agora, com a liberação das operações de petróleo na Venezuela, o governo interino tenta atrair recursos externos e recuperar campos produtivos. Ainda assim, analistas apontam que a retomada dependerá de estabilidade regulatória, modernização tecnológica e segurança jurídica. O retorno ao mercado global exigirá mais do que autorização formal. Esse será, portanto, um processo gradual.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

Veja também:

Algum fato relevante chamou sua atenção?

Envie fatos, registros e informações para análise da redação do J1 News.

Publicidade