Novo salário mínimo começa a ser pago na folha de fevereiro

O novo salário mínimo passa a ser pago na folha de fevereiro, após entrar em vigor em janeiro. O valor de R$ 1.621 segue a regra que combina inflação, crescimento econômico e limites fiscais. Continue lendo e saiba mais.
Cédulas de real dispostas em ordem decrescente de valor o reajustado novo salário mínimo
Pagamento do novo salário mínimo entra na folha salarial no início de fevereiro (foto: Reprodução)

O novo salário mínimo começou a valer em janeiro de 2026, mas o pagamento do valor reajustado entra de fato na conta dos trabalhadores a partir da folha salarial de fevereiro, esta semana. O piso nacional passou de R$ 1.518 para R$ 1.621, após reajuste confirmado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento em dezembro.

A diferença entre vigência legal e pagamento ocorre porque salários costumam ser quitados no mês seguinte ao período trabalhado. Assim, empregados que recebem o mínimo, além de aposentadorias, pensões e benefícios atrelados ao piso, passam a sentir o efeito do reajuste apenas agora.

Novo salário mínimo e o valor definido para 2026

O valor de R$ 1.621 representa um aumento nominal de R$ 103, equivalente a 6,79%. O cálculo partiu da regra que combina inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e crescimento econômico, dentro dos limites impostos pelo arcabouço fiscal.

Pelos cálculos técnicos, o piso chegaria a R$ 1.620,99. A legislação, porém, determina arredondamento para número inteiro, o que levou ao valor final do novo salário mínimo adotado em todo o país.

Como funciona a regra de reajuste do piso nacional

A fórmula prevê a reposição integral da inflação acumulada em 12 meses até novembro do ano anterior, que ficou em 4,18%. Além disso, considera o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, revisado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para alta de 3,4% em 2024.

No entanto, o arcabouço fiscal limita o ganho real acima da inflação a uma faixa entre 0,6% e 2,5%. Na prática, isso reduz o repasse do avanço do PIB ao salário mínimo, mesmo em anos de atividade econômica mais forte.

Novo salário mínimo e efeitos na economia

Segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o reajuste do piso deve injetar R$ 81,7 bilhões na economia ao longo do ano. O cálculo considera reflexos sobre renda, consumo e arrecadação.

Em um cenário de restrições fiscais, o novo salário mínimo mantém o poder de compra e sustenta parte da demanda, mas sem ampliar de forma expressiva o impacto sobre as contas públicas. O desenho reflete a tentativa do governo de equilibrar política social e controle do gasto.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

Veja também:

Algum fato relevante chamou sua atenção?

Envie fatos, registros e informações para análise da redação do J1 News.

Publicidade