A liquidação do Banco Pleno redesenha o cenário para cerca de 160 mil clientes com R$ 4,9 bilhões cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), após a decisão do Banco Central na quarta-feira (18/02). Além do ressarcimento, a medida expõe a trajetória do controlador Augusto Lima e redefine obrigações de quem mantinha conta ou aplicações na instituição.
Embora o decreto já tenha sido detalhado pelo Banco Central, a continuidade do caso envolve dois eixos centrais: a estrutura societária do banco e os efeitos práticos para investidores e empresas que operavam com a instituição.
O que muda com a Liquidação do Banco Pleno
Com a liquidação extrajudicial, o banco deixa de operar e seus bens ficam bloqueados. Contas correntes, CDBs, RDBs, LCIs, LCAs e demais títulos ficam indisponíveis, e os rendimentos passam a ser calculados apenas até a data da intervenção.
O FGC informou que desembolsará até R$ 4,9 bilhões, respeitando o teto de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição. O pagamento inclui o valor investido e os rendimentos até 18/02, com atualização pela TR (Taxa Referencial). Segundo o Fundo, clientes que já atingiram o limite dentro do conglomerado Master não terão valores adicionais a receber.
Para solicitar a garantia, o credor deve aguardar o envio da lista pelo liquidante e formalizar o pedido pelo aplicativo (pessoa física) ou site (pessoa jurídica), com assinatura digital. Após validação, o crédito ocorre em até dois dias úteis.
Quem é Augusto Lima e a ligação com o Master
Augusto Lima, controlador do Pleno, foi sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master até maio de 2024. Posteriormente, assumiu o então Banco Voiter, que passou a se chamar Pleno, em operação aprovada pelo Banco Central em julho de 2025.
Segundo o Banco Central, a liquidação ocorreu após constatação de problemas de liquidez, dificuldade em honrar compromissos e infrações a normas regulatórias. Após a Operação Compliance Zero, XP e BTG suspenderam a distribuição de títulos do banco, o que reduziu a captação no mercado. O Pleno buscava comprador desde janeiro e chegou a oferecer o banco à J&F, mas a holding não levou o negócio adiante.
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Efeitos práticos após a Liquidação do Banco Pleno
Apesar da paralisação das atividades, contratos seguem válidos. Empréstimos, crédito consignado, financiamentos e faturas continuam sendo cobrados sob administração do liquidante. Descontos em folha permanecem ativos.
As chaves Pix vinculadas ao banco perderam validade imediata, exigindo atualização pelos clientes. Já valores acima do teto de R$ 250 mil ficam registrados como saldo remanescente e dependem da venda de ativos para eventual devolução.
A liquidação do Banco Pleno amplia a exposição do FGC ao conglomerado Master, hoje superior a R$ 51 bilhões, e coloca em teste os limites de garantia dentro de grupos financeiros. O desfecho administrativo dependerá da recuperação de ativos e da capacidade do sistema de absorver mais um episódio de intervenção no setor bancário.