BC decreta liquidação do Banco Pleno e aprofunda crise ligada ao Master

A Liquidação Banco Pleno foi decretada pelo Banco Central após problemas de liquidez e infrações regulatórias. Entenda o que muda para investidores e como o FGC fará os pagamentos.
Liquidação Banco Pleno decretada pelo Banco Central na sede da instituição
Sede do Banco Pleno, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central nesta quarta-feira (18). Foto: Reprodução

A liquidação do Banco Pleno foi decretada nesta quarta-feira (18/02) pelo Banco Central (BC), que interrompeu as atividades da instituição após apontar deterioração financeira e descumprimento de normas regulatórias. A decisão atinge também a Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM) e marca mais um capítulo no desmonte de estruturas ligadas ao antigo conglomerado do Banco Master.

Segundo ato assinado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, a medida ocorreu “em razão do comprometimento da situação econômico-financeira”, com piora da liquidez e infrações às regras que disciplinam a atividade bancária. Com isso, o Banco Central considera vencidas as obrigações da instituição e suspende imediatamente seu funcionamento.

O que significa a Liquidação Banco Pleno

A liquidação extrajudicial é aplicada quando o regulador conclui que não há plano viável de recuperação. Nesse regime de resolução bancária, o banco deixa o Sistema Financeiro Nacional (SFN) de forma organizada, sob supervisão da autoridade monetária.

O conglomerado do Pleno está enquadrado no segmento S4 da regulação prudencial e detém 0,04% do ativo total e 0,05% das captações do sistema. Apesar do porte reduzido, o BC determinou a indisponibilidade dos bens de controladores e administradores, além de informar que poderá aplicar sanções administrativas ao fim das apurações.

Situação financeira e conexão com o Master

Dados do BC indicam que o banco tinha, em setembro, passivo de R$ 6,8 bilhões, sendo R$ 5,2 bilhões em CDBs e R$ 760 milhões em letras financeiras. Estimativas do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) apontam cerca de R$ 4,9 bilhões em depósitos elegíveis à cobertura.

O conglomerado do Banco Master incorporou o Banco Pleno no início de 2024 e, em julho de 2025, o Banco Central aprovou a transferência do controle para Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Desde novembro de 2025, o BC vem desmontando empresas do grupo após identificar insolvência e risco de contágio.

De acordo com pessoas com conhecimento no assunto, o regulador já havia enviado comunicações exigindo reforço de liquidez. Após a operação da Polícia Federal no caso Master, XP e BTG suspenderam a distribuição de títulos do banco. A medida agravou a dificuldade de captação.

Como funciona o FGC após a Liquidação Banco Pleno

Com a Liquidação Banco Pleno, o FGC passa a ressarcir investidores até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, limitado a R$ 1 milhão a cada quatro anos. O fundo cobre CDB, LCI, LCA, RDB, poupança e conta corrente, entre outros produtos.

O banco em liquidação deve enviar a lista de credores ao FGC, que processa os pagamentos. O trâmite inicial leva, em média, 30 dias úteis. Depois, o investidor solicita o valor pelo aplicativo, valida a biometria e indica conta para crédito.

No mercado secundário, investidores negociaram os títulos do banco com taxas acima do CDI, o que refletiu perda de confiança e vendas forçadas. Embora a instituição tenha porte pequeno, o episódio amplia a pressão regulatória sobre estruturas herdadas do caso Master. Além disso, reforça o papel do BC na supervisão do sistema.

A liquidação Banco Pleno encerra um ciclo de sucessivas trocas de controle e reestruturações que não conseguiram estabilizar a instituição. Para investidores, o foco agora recai sobre o cronograma de pagamentos do FGC e os desdobramentos das apurações administrativas.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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