Taxa de inadimplência no aluguel cai a menor nível em oito meses

A inadimplência de aluguel caiu para 3,29% em janeiro de 2026, menor nível em oito meses, com mudança no perfil de risco entre faixas de renda e diferenças regionais no país. Saiba mais.
Imagem ilustrativa com elementos que remetem a inadimplência de aluguel no Brasil
Taxa nacional recua para 3,29% e atinge o menor nível em oito meses. (Foto: Reprodução)

A taxa de inadimplência de aluguel atingiu 3,29% em janeiro de 2026, segundo o Índice de Inadimplência Locatícia (IIL) da plataforma de serviços financeiros focada na gestão de condomínios, imobiliárias e negócios de economia Superlógica. O percentual representa o menor patamar em oito meses e indica recuo frente a dezembro (3,44%) e novembro (3,69%).

O levantamento considera mais de 600 mil contratos em todo o país e classifica como inadimplentes boletos com mais de 60 dias de atraso. Apesar da queda, a média anual de 2025 ficou em 3,50%, praticamente estável ante 2024 (3,49%).

Inadimplência de aluguel e mudança no perfil de risco

Além da retração mensal, os dados mostram alteração no perfil da taxa de inadimplência de aluguel. Em janeiro, imóveis residenciais com valores de até R$ 1.000 superaram contratos de alta renda, acima de R$ 13 mil, no nível de atrasos.

No ano passado, a faixa superior concentrava os maiores índices. Porém, agora, a pressão recai sobre contratos de menor valor. O que, portanto, pode indicar maior impacto do custo de vida sobre famílias de renda mais baixa.

As faixas intermediárias registraram os menores percentuais. Imóveis entre R$ 3.000 e R$ 5.000 marcaram 1,76%, enquanto contratos entre R$ 2.000 e R$ 3.000 ficaram em 1,82%.

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Mercado locatício e recortes regionais

A trajetória da inadimplência de aluguel também revela diferenças importantes entre segmentos, tipos de imóvel e regiões do país. Embora o índice nacional tenha recuado em janeiro, os dados mostram que o comportamento não é homogêneo e varia conforme perfil do contrato e localização.

  • Segmento comercial (até R$ 1.000):
    • Taxa de 7,22% em janeiro, ante 8,06% em dezembro.
    • Segunda queda consecutiva, indicando redução da pressão sobre pequenos contratos comerciais.
  • Comercial geral:
    • Recuo de 4,65% para 4,46%.
    • Ajuste gradual nos atrasos após meses de maior instabilidade.
  • Por tipo de imóvel:
    • Apartamentos: 2,15%, na terceira retração seguida.
    • Casas: queda de 3,74% para 3,54%.
    • A desaceleração atinge tanto o mercado imobiliário residencial quanto o comercial.
  • Recorte regional:
    • Norte: 4,03%, maior taxa de inadimplência de aluguel no país.
    • Nordeste: 3,96%, com queda de 1,27 ponto percentual frente a dezembro.
    • Sul: 2,46%, menor taxa nacional.
    • Sudeste: 3,16%, leve recuo.
    • Centro-Oeste: 3,28%, também em leve retração.

O panorama indica que, apesar do alívio no indicador agregado, a inadimplência de aluguel permanece mais elevada em regiões com maior volatilidade econômica, enquanto áreas com renda média mais alta mantêm níveis inferiores de atraso.

Inadimplência de aluguel ainda exige cautela

Para Manoel Gonçalves, diretor de negócios para imobiliárias do Grupo Superlógica, a queda no início do ano é “um sinal positivo”. Ele pondera, no entanto, que “ainda é cedo para cravar uma tendência”.

Segundo o executivo, inflação e juros elevados seguem no radar e podem afetar o orçamento das famílias. Assim, a trajetória da taxa de inadimplência de aluguel nos próximos meses dependerá da dinâmica do crédito, da renda disponível e da estabilidade econômica.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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