Gastos do governo com Previdência Social chegam a valor inédito e ampliam pressão fiscal

O gasto com Previdência Social superou R$ 1 trilhão em 2025, gerou déficit de R$ 317 bilhões e ampliou a pressão sobre o Orçamento e a meta fiscal prevista para 2026. Continue lendo e saiba mais.
gasto com Previdência Social no Orçamento federal
Despesas previdenciárias superam R$ 1 trilhão e ampliam a pressão sobre as contas públicas. (Foto: Pedro França/Agência Senado)

Os gastos anuais do Governo com Previdência Social ultrapassaram pela primeira vez a marca de R$ 1 trilhão em 2025, segundo dados das contas do governo central. Além disso, nesta quinta-feira (29/01), o Ministério da Fazenda divulga o relatório que consolida Previdência Social, Tesouro Nacional e Banco Central, revelando uma despesa total de R$ 1,026 trilhão com benefícios ao longo do ano.

Ao mesmo tempo, a receita líquida vinculada ao sistema somou R$ 709,7 bilhões. Como resultado, o regime geral registrou um déficit de R$ 317,1 bilhões, ampliando o peso da Previdência sobre o Orçamento da União. Além de reforçar as restrições fiscais em um cenário de metas mais apertadas para os próximos exercícios.

Gasto com Previdência Social e a dinâmica do Orçamento

Na comparação com 2024, a despesa previdenciária cresceu R$ 87 bilhões. No ano anterior, os pagamentos haviam alcançado R$ 939 bilhões, o que evidencia uma trajetória de alta contínua. Esse avanço ocorre mesmo após as mudanças introduzidas pela reforma de 2019, cujos efeitos fiscais seguem diluídos ao longo do tempo.

Dentro da estrutura orçamentária, o gasto com Previdência Social ocupa uma fatia cada vez maior das despesas obrigatórias. Consequentemente, sobra menos espaço para despesas discricionárias, como investimentos públicos e políticas setoriais. O que, nesse caso, torna a gestão do Orçamento mais rígida e reduz a margem de manobra do governo ao longo do ano.

Déficit previdenciário e metas fiscais

Nesse contexto, especialistas apontam que o tamanho do déficit previdenciário dificulta o cumprimento da meta de superávit primário de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) prevista para 2026. A pressão se intensifica porque a despesa cresce em ritmo superior ao da arrecadação vinculada, exigindo compensações em outras áreas do gasto público.

Para dimensionar esse peso, basta observar que o rombo de R$ 317,1 bilhões em 2025 supera toda a previsão orçamentária do Ministério da Saúde, estimada em R$ 271,3 bilhões. Essa comparação ajuda a ilustrar como o gasto com Previdência Social passou a condicionar escolhas fiscais e disputas internas por recursos dentro do governo central.

Gasto com Previdência Social no horizonte fiscal

O cenário prospectivo também reforça essa tendência. A proposta orçamentária em discussão projeta despesas previdenciárias de R$ 1,11 trilhão no próximo exercício, sinalizando que a trajetória de alta deve continuar no curto prazo. Esse movimento ocorre em paralelo ao rápido envelhecimento da população brasileira, que eleva o número de beneficiários em ritmo superior ao de contribuintes.

Embora a reforma da Previdência de 2019 tenha alterado regras de acesso e cálculo dos benefícios, analistas avaliam que seus efeitos são graduais e insuficientes para reverter, no curto prazo, a dinâmica do gasto com Previdência Social dentro do atual arcabouço fiscal.

Despesa previdenciária federal

É importante destacar que os dados analisados pela Previdência Social contemplam apenas o regime geral de aposentadoria dos trabalhadores do setor privado. Ficam de fora os regimes próprios dos servidores públicos e o sistema de aposentadoria dos militares das Forças Armadas. Que, portanto, seguem lógicas distintas e também exercem pressão relevante sobre as contas públicas.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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