Garantias honradas pela União somam R$ 257,7 mi em janeiro

Garantias honradas pela União somaram R$ 257,7 milhões em janeiro. Tesouro cobre dívidas estaduais, recupera parte via contragarantias e amplia debate sobre o Propag e o risco fiscal. Saiba mais.
Garantias honradas pela União no relatório do Tesouro Nacional
Relatório do Tesouro detalha valores pagos pela União para cobrir dívidas de estados e municípios em janeiro. (Foto: Reprodução)

Garantias honradas pela União atingiram R$ 257,73 milhões em janeiro, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (19/02) pelo Tesouro Nacional. O valor refere-se a parcelas não pagas por estados e municípios em operações de crédito com bancos nacionais e organismos multilaterais.

No acumulado de 2025, a União já desembolsou R$ 11,08 bilhões para cobrir dívidas de entes federados. Desde 2016, o total chega a R$ 86,78 bilhões, o que expõe a dimensão do passivo coberto pelo governo federal ao longo da última década.

Garantias honradas pela União e a pressão fiscal

Em janeiro, os maiores valores ficaram com:

  • Rio Grande do Norte: R$ 84,32 milhões
  • Rio de Janeiro: R$ 82,34 milhões
  • Rio Grande do Sul: R$ 70,55 milhões
  • Amapá: R$ 19,55 milhões
  • Guanambi (BA): R$ 783,64 mil
  • Paranã (TO): R$ 112,07 mil
  • Santanópolis (BA): R$ 72,02 mil

As garantias federais funcionam como um seguro para contratos de financiamento firmados por estados e prefeituras. Dentro desse mecanismo, as garantias honradas pela União são acionadas quando há inadimplência.

Assim, credores como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), por exemplo, comunicam ao Tesouro, que quita a parcela e posteriormente executa as contragarantias. Portanto, descontando valores de repasses constitucionais.

Além do valor principal, incidem juros de mora (encargos cobrados após atrasos em dívidas) e encargos contratuais. Além disso, a União pode ainda restringir novos financiamentos ao ente inadimplente, reforçando o controle sobre o endividamento estadual.

Recuperação de créditos e bloqueios judiciais

Embora as garantias honradas pela União somem R$ 86,78 bilhões desde 2016, o Tesouro recuperou R$ 6,03 bilhões em contragarantias no período. Em 2026, o montante recuperado soma R$ 104,97 milhões. Parte expressiva, porém, permanece sob bloqueio por decisões judiciais ou regimes especiais de ajuste fiscal.

Cerca de R$ 79,02 bilhões do total de garantias honradas pela União enquadram-se em situações com limitação de execução imediata. Essas circunstâncias envolvem regimes de recuperação fiscal, leis de compensação. E, além disso, determinações do Supremo Tribunal Federal (STF).

Propag e o redesenho da dívida estadual

O Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag) abriu caminho para parcelamento em até 30 anos e descontos de juros. Vinte e dois estados aderiram ao programa, que exige contrapartidas como venda de ativos e ajustes nas contas públicas.

O Propag também prevê aportes ao Fundo de Equalização Federativa (FEF) e autoriza até R$ 20 bilhões em investimentos. No caso do Rio Grande do Sul, por exemplo, a União suspendeu por 36 meses o pagamento da dívida após as enchentes de 2024, com perdão temporário de juros sobre um estoque próximo de R$ 100 bilhões.

Ao consolidar novos instrumentos de renegociação e manter o pagamento automático das garantias honradas pela União, o governo federal reforça seu papel como fiador do pacto federativo. Porém, também amplia a exposição fiscal em um cenário de ajuste das contas públicas.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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