O financiamento de veículos somou 616 mil unidades em janeiro, o maior volume para o mês desde 2008, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (19/02) pela B3. O número representa alta de 9,2% na comparação com janeiro de 2025 e sinaliza início de ano aquecido no crédito automotivo.
Além do avanço anual, o desempenho reforça o papel do crédito como termômetro do mercado automotivo brasileiro. A B3 consolidou os números por meio da Trillia, sua linha de dados, que acompanha operações de CDC, leasing e alienação fiduciária em todo o país.
Financiamento de veículos puxa alta entre novos e usados
Do total financiado, 412 mil unidades foram de seminovos, alta de 8,8% frente ao mesmo período do ano passado. Já os veículos novos somaram 204 mil contratos, crescimento de 10,1% na mesma base de comparação.
O financiamento de veículos também avançou entre os automóveis leves, com alta de 8,7%. No caso das motos, o salto foi ainda mais expressivo, de 21,9%, refletindo a busca por mobilidade de menor custo e maior previsibilidade nas parcelas.
Crédito automotivo mostra contraste nos pesados
Apesar do desempenho positivo nos segmentos de passeio e duas rodas, os veículos pesados registraram retração de 3,2% nas operações financiadas. O recuo foi puxado pela queda de 25,1% nos modelos zero quilômetro.
Por outro lado, os pesados usados avançaram 10,9%, indicando que empresas optaram por renovação parcial de frota com menor desembolso. Esse comportamento sugere cautela no investimento produtivo, sobretudo em transporte e logística.
Leia também: Diesel S10 no Ceará cai 2,9% em uma semana
Financiamento de veículos e estabilidade de preços
Os dados mostram ainda que os preços ficaram praticamente estáveis em janeiro frente a dezembro de 2025. Tanto novos quanto usados apresentaram variação média negativa de 0,30%.
Segundo a B3, a redução dos valores dos modelos novos perdeu força no início do ano, o que indica cenário mais estável para o setor. Nesse contexto, o financiamento de veículos ganha relevância como instrumento para sustentar vendas diante de margens mais ajustadas.
No conjunto, o avanço do financiamento de veículos reforça a relevância do crédito para o giro da cadeia automotiva. Se o ritmo se mantiver, o setor poderá consolidar um início de ano consistente, embora a fraqueza nos pesados ainda imponha sinal de atenção.