O financiamento de caminhões do programa Move Brasil liberou quase R$ 2 bilhões no primeiro mês de operação, segundo dados divulgados neste domingo (08/02) pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. A liberação ocorre em um momento de retração do mercado e busca destravar decisões de compra afetadas pelo custo elevado do crédito.
O setor de caminhões fechou 2025 com queda de 9,2% nas vendas totais. Nos modelos pesados, usados no transporte de longas distâncias, a retração foi maior, de 20,5% em relação a 2024. Além disso, em janeiro deste ano, o mercado aprofundou o recuo, com retração de 34,67% na comparação anual. Todas as informações são de um levantamento feito pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Financiamento de caminhões e o peso dos juros
Para Alckmin, a principal explicação para o desaquecimento está no custo do crédito. Segundo ele, taxas anuais entre 22% e 23% afastaram compradores de bens duráveis financiados, como caminhões.
Portanto, o financiamento de caminhões no âmbito do Move Brasil opera com juros entre 13% e 14% ao ano, abaixo das condições de mercado. Alckmin afirmou que a resposta inicial foi imediata, com cerca de R$ 1,9 bilhão contratado logo no início do programa, por meio de linhas operadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O que é o programa Move Brasil
O Move Brasil é um programa federal criado para estimular a renovação da frota de caminhões no país por meio de financiamento com juros abaixo do mercado, operado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A iniciativa disponibiliza até R$ 10 bilhões em crédito, como apontado pelo Economic News Brasil, com recursos do Tesouro Nacional e do próprio banco de fomento, voltados a caminhoneiros autônomos, cooperados e empresas de transporte.
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Financiamento de caminhões, indústria e emprego
A indústria automotiva vê o programa como um amortecedor em um período de baixa. Representantes de transportadoras também destacam efeitos sobre o emprego industrial e critérios ambientais. Isso porque, sob um dos critérios do programa, é exigido que os veículos financiados tenham sido fabricados a partir de 2012 e atendam a parâmetros ambientais, incentivando, assim, a retirada de caminhões mais antigos de circulação.
No desenho atual, o financiamento de caminhões do Move Brasil tem teto de R$ 10 bilhões e não possui prazo definido para encerramento. O governo avalia a continuidade conforme a demanda e a evolução do crédito. Em um setor sensível ao custo financeiro, a política antecipa decisões de compra e redefine o ritmo do mercado ao longo de 2026.