As exportações do Nordeste somaram US$ 24,8 bilhões em 2025, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (02/02) pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). O valor representa 7% de tudo o que o Brasil vendeu ao exterior no ano e configura o maior resultado regional em três anos.
O desempenho ocorreu em um contexto de ajuste do comércio exterior nordestino. Enquanto as vendas externas avançaram, as importações recuaram cerca de 5%, passando de US$ 28,7 bilhões em 2024 para US$ 27,2 bilhões em 2025, o que reduziu a dependência externa da região.
Exportações do Nordeste e a força da pauta produtiva
Na composição das exportações do Nordeste, os produtos do reino vegetal lideraram a pauta, com US$ 6,9 bilhões. Nesse sentido, o resultado reflete o peso do agronegócio regional e de cadeias ligadas à produção primária voltada ao mercado externo.
Em seguida, os produtos minerais responderam por US$ 4,6 bilhões, enquanto os itens das indústrias alimentares alcançaram US$ 2,1 bilhões. A estrutura revela uma pauta concentrada em bens de base, ainda com espaço para ampliar valor agregado.
Comércio exterior nordestino e parceiros estratégicos
A distribuição das exportações do Nordeste em 2025 mostra concentração relevante tanto nos destinos internacionais quanto entre os estados exportadores. O que, inclusive, ajuda a entender a inserção externa da região.
Principais destinos das vendas externas nordestinas:
- China: US$ 6,22 bilhões, mantendo-se como o principal parceiro comercial da região, puxada sobretudo por commodities de origem vegetal e mineral.
- Estados Unidos: US$ 2,89 bilhões, com demanda diversificada e presença de produtos alimentares e industriais.
- Canadá: US$ 2,72 bilhões, consolidando-se como terceiro maior destino.
- Argentina: US$ 1,62 bilhão, liderança entre os países da América do Sul e principal parceiro regional.
- Países Baixos: US$ 1,19 bilhão, maior comprador europeu, refletindo o papel do país como porta de entrada logística no continente.
Apesar dos bons números, no recorte interno, os dados evidenciam forte concentração estadual das exportações. Sinalizando, portanto, que poucos nordestinos respondem por uma fatia considerável do valor embarcado ao exterior.
Estados que lideraram as exportações no Nordeste:
- Bahia: US$ 11,52 bilhões, isolada na liderança regional e responsável por quase metade das exportações nordestinas.
- Maranhão: US$ 5,49 bilhões, impulsionado principalmente por produtos minerais e agrícolas.
- Pernambuco: US$ 2,36 bilhões, ocupando a terceira posição no ranking regional.
- Ceará: US$ 2,30 bilhões, com participação próxima à de Pernambuco.
- Rio Grande do Norte: US$ 1,14 bilhão, completando o grupo dos cinco maiores exportadores da região.
Esse desenho reforça a concentração geográfica e setorial das exportações do Nordeste. Inclusive, ponto central para a leitura econômica e institucional do comércio exterior regional.
Vendas externas da região e leitura econômica
Pelo lado das importações, a liderança dos produtos minerais, com US$ 10,98 bilhões (quase 40% do total regional), indica a dependência do Nordeste de insumos estratégicos. Na sequência, produtos químicos e máquinas aparece reforçando o peso dos bens intermediários no funcionamento da atividade produtiva.
Para o economista José Farias, coordenador-geral de Estudos e Pesquisas da Sudene, o desempenho das exportações do Nordeste cria uma base concreta para decisões públicas e privadas. Segundo ele, a leitura combinada de exportações e importações permite identificar gargalos, orientar investimentos e estruturar estratégias para ampliar o valor agregado da produção regional, econômicas e institucionais.