Ex-presidente do Rioprevidência é preso em operação da PF sobre investimentos

Sede da Rioprevidência fechada durante investigações que levaram a ocasião em que ex-presidente do Rioprevidência é preso em operação da PF
Polícia Federal avança em investigação sobre aplicações do Rioprevidência. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A prisão de Deivis Marcon Antunes, o ex-presidente do Rioprevidência nesta terça-feira (03/02) marcou um novo estágio da investigação da Polícia Federal sobre aplicações financeiras do fundo previdenciário do Estado do Rio de Janeiro no Banco Master. A Polícia Federal deteve o ex-presidente do Rioprevidência na segunda fase da Operação Barco de Papel, que apura decisões tomadas no comando do órgão entre 2023 e 2024.

Antunes pediu demissão em 23 de janeiro e o governador Cláudio Castro (PL) o exonerou no mesmo dia, quando a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da operação. O Rioprevidência, inclusive, é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores estaduais, o que amplia o peso institucional da apuração.

Ex-presidente do Rioprevidência é preso e vira alvo central

Segundo a Polícia Federal, a corporação prendeu o ex-presidente do Rioprevidência após identificar indícios de obstrução da investigação. Os mandados de prisão temporária e de busca e apreensão, portanto, consequentemente, partiram da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro e alcançaram endereços no Rio e em Santa Catarina.

Além disso, em nota, a corporação informou que identificou a retirada de documentos de um apartamento ligado ao principal investigado, além de manipulação de provas digitais. Além disso, a PF também apontou a transferência de dois veículos de luxo para terceiros após a primeira fase da operação.

Após a prisão do ex-presidente do Rioprevidência, a defesa de Antunes, procurada, ainda não se manifestou. Porém, em declarações anteriores, o ex-dirigente afirmou que nunca se esquivou de responsabilidades e disse que se colocava à disposição das autoridades.

Investigações sobre aplicações previdenciárias

A apuração que levou o ex-presidente do Rioprevidência ser preso mira aplicações do Rioprevidência no Banco Master que somam cerca de R$ 970 milhões. As operações ocorreram entre novembro de 2023 e julho de 2024 e envolveram letras financeiras emitidas pela instituição.

Esses títulos, entretanto, não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Por isso, eventuais perdas recaem diretamente sobre os recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões, conforme apontam os investigadores.

O Banco Central liquidou o Banco Master após suspeitas de irregularidades envolvendo a instituição comandada por Daniel Vorcaro. Portanto, a PF analisa os critérios adotados na escolha desses ativos e o fluxo interno de decisão no fundo.

Ex-presidente do Rioprevidência é preso e pressão institucional cresce

A prisão do ex-presidente do Rioprevidência ocorreu após agentes localizarem o investigado em Itatiaia, no sul fluminense, durante abordagem com apoio da Polícia Rodoviária Federal. Ele, inclusive, estava em um veículo alugado, utilizado após sair do aeroporto, segundo a corporação.

Após a detenção, agentes o conduziram à Delegacia da Polícia Federal em Volta Redonda e, depois, à Superintendência no Rio. Com isso, a investigação avança sobre governança, controles internos e critérios de, além de tudo, risco na gestão de recursos previdenciários estaduais.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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