O dólar hoje opera abaixo de R$ 5,20 nesta quarta-feira (28/01), ampliando as perdas da sessão anterior em um dia marcado pela primeira Super Quarta do ano. O câmbio reflete a cautela dos investidores diante das decisões simultâneas de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
Na véspera, a moeda americana encerrou o pregão no menor valor de fechamento desde maio de 2024. O movimento ocorre em meio ao enfraquecimento global do dólar e à recomposição de posições em ativos brasileiros, enquanto o mercado evita apostas direcionais antes dos comunicados oficiais.
Dólar hoje e a Super Quarta
A Super Quarta ocorre quando o Banco Central do Brasil e o Federal Reserve divulgam suas decisões de política monetária no mesmo dia. No calendário atual, o Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia sua decisão após o fechamento do mercado. Enquanto isso, o Fed divulga o resultado da reunião do Fomc (Federal Open Market Committee, órgão responsável por definir a política monetária americana) no período da tarde, seguido de entrevista do presidente da autoridade monetária americana.
Esse alinhamento concentra volatilidade no câmbio, já que investidores ajustam posições diante de dois referenciais centrais para o preço do dinheiro. Por isso, o dólar hoje tende a oscilar menos durante a sessão, com maior sensibilidade às sinalizações contidas nos comunicados.
No Brasil, o consenso aponta para que o BC mantenha Selic em 15% ao ano. Analistas avaliam que o foco do mercado está no tom do comunicado, sobretudo em eventuais indicações sobre quando pode começar o ciclo de redução dos juros. Fator, inclusive, que influencia diretamente o diferencial de retorno frente a economias avançadas.
Fed e a política monetária global
Já nos Estados Unidos, a expectativa majoritária também é de estabilidade. O mercado projeta a manutenção da taxa básica na faixa entre 3,5% e 3,75%, conforme indica a ferramenta FedWatch, do CME Group. A estimativa, portanto, aponta 97% de probabilidade desse desfecho.
Além disso, o relatório do Bank of America afirma que o Fomc segue em postura de espera até que o balanço de riscos mude. Esse posicionamento tem contribuído para a perda de força do dólar no exterior, abrindo espaço para valorização de moedas emergentes. E, além disso, sustentando o comportamento do dólar hoje no mercado doméstico.
O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas, atingiu o menor nível desde fevereiro de 2022. Esse ambiente reduz a pressão cambial e favorece fluxos para mercados com juros elevados.
Dólar hoje e leitura política
Declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também entram no radar dos investidores. Ao afirmar que o valor do dólar é “ótimo”, o presidente reforçou a percepção de que o governo não se opõe a uma moeda menos valorizada. O que, por consequência, tende a favorecer exportações americanas.
Para analistas, a permanência do dólar hoje abaixo de R$ 5,20 dependerá da combinação entre o tom adotado pelos bancos centrais, a reação dos mercados internacionais e o comportamento do fluxo estrangeiro. Portanto, no curto prazo, o câmbio segue como termômetro da interação entre juros, política monetária e alocação global de capitais.