Dívidas tributárias de quatro grandes bancos são encerradas em acordos com a Fazenda

Dívidas tributárias de bancos foram encerradas em acordos com a PGFN que renderam R$ 3,3 bilhões à União, reduzindo disputas judiciais e reforçando a estratégia fiscal em 2026. Continue lendo e saiba mais
Fachada da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), onde dívidas tributárias de bancos foram liquidadas em acordos.
Acordos com grandes bancos encerram disputas fiscais e ampliam a arrecadação federal. (Foto: Fernando Bizerra/Agência Senado)

As dívidas tributárias de quatro grandes bancos no Brasil ganharam novo desfecho nesta quarta-feira (04/02), com a formalização de acordos entre as instituições financeiras e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), que resultaram no pagamento de R$ 3,3 bilhões à União. As negociações envolveram Santander, Citibank, Itaú e o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), encerrando, assim, disputas judiciais de alto valor e longa duração.

Os acordos ocorreram por meio do Programa de Transação Integral, mecanismo criado para permitir a resolução negociada de litígios fiscais relevantes. Segundo a PGFN, os pagamentos ocorreram à vista, após aplicação de descontos previstos nas regras do programa.

Dívidas tributárias de bancos e os acordos firmados

Entre os casos concluídos, o Banco Santander regularizou um passivo de R$ 1,5 bilhão relacionado à cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Já o Citibank quitou cerca de R$ 500 milhões em dívidas, também vinculados a disputas antigas sobre o tributo extinto.

O Itaú, por sua vez, negociou um passivo superior a R$ 1 bilhão, envolvendo a incidência de Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre receitas financeiras. Além disso, também contou com lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

Transações fiscais e redução do contencioso

Por fim, o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, que também aderiu à transação, regularizou débito acima de R$ 200 milhões, também relacionado a PIS e Cofins. Com isso, as instituições reconheceram formalmente os débitos e assumiram compromisso de manutenção da regularidade fiscal.

De acordo com a PGFN, os descontos concedidos nos acordos variaram entre 10% e 30%. A porcentagem, varia conforme a duração dos processos, o estágio das disputas judiciais e a estimativa de recuperação do crédito. A avaliação dos descontos, além disso, considera o custo de manter litígios prolongados e a probabilidade de êxito da cobrança.

Dívidas tributárias de bancos no contexto fiscal de 2025

Entre janeiro e junho de 2025, o Programa de Transação Integral viabilizou a regularização de 274 inscrições na dívida ativa da União. Além disso, em um recorte mais amplo, de janeiro a setembro, a PGFN recuperou R$ 44,9 bilhões em créditos, sendo mais da metade associada a transações tributárias.

Nesse cenário, as dívidas tributárias de bancos passaram a integrar uma estratégia fiscal voltada à redução do estoque de disputas judiciais e à antecipação de receitas. Tudo em um ambiente de maior seletividade na condução do contencioso tributário.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

Veja também:

Algum fato relevante chamou sua atenção?

Envie fatos, registros e informações para análise da redação do J1 News.

Publicidade