Supostas dívidas indevidas do Banco de Brasília (BRB) passaram a constar em registros do Banco Central após clientes do Banco Master e do Will Bank identificarem contratos ativos ou em atraso no Sistema de Informações de Créditos (SCR). Os relatos envolvem operações já quitadas e até débitos que os consumidores afirmam nunca ter contratado, situação detectada por meio do Registrato.
Os casos atingem clientes que nunca mantiveram relacionamento direto com o Banco de Brasília. O vínculo decorre da cessão de carteiras de crédito adquiridas pelo BRB desde 2024, em operações que envolveram o Master e, em parte dos contratos, o Will Bank como originador dos empréstimos.
Dívidas indevidas do BRB e a cadeia das carteiras
O contexto se agravou após a liquidação extrajudicial do Banco Master e do Will Bank. No mesmo período, a Polícia Federal abriu investigação sobre operações envolvendo carteiras avaliadas como problemáticas, estimadas em R$ 12 bilhões, adquiridas pelo BRB sem garantias financeiras claras.
Como compensação por carteiras anteriores, novos créditos foram transferidos ao banco público. Parte dessas operações, inclusive, teria origem no Will Bank, o que ampliou o alcance dos registros. O que, portanto, levou consumidores a serem notificados por dívidas indevidas do BRB.
Cessão de créditos e dever de informação
Em nota, o BRB afirmou que deixou de receber do liquidante as informações sobre repasse e quitação das operações cedidas. Segundo o banco, pelas regras contratuais, a instituição que concedeu o crédito deve acompanhar os pagamentos e enviar os dados ao comprador, o que não teria ocorrido após a liquidação.
Especialistas apontam que a cessão de créditos é prática comum no sistema financeiro, porém, envolve deveres claros. Fabio Braga, sócio do Demarest, explica que as partes definem quem ficará responsável pela gestão dos pagamentos. Já Pedro Ramunno, professor do Mackenzie, destaca que a legislação exige notificação formal do consumidor sobre a cessão.
Responsabilidade pelo registro de dívidas indevidas do BRB
Os efeitos práticos das cobranças indevidas já atingem o score dos consumidores. Há relatos de financiamentos negados e cobranças que seguem ativas, com valores relevantes. Além disso, o aumento expressivo de reclamações em plataformas de defesa do consumidor reforça o alcance do problema.
Diante das dívidas indevidas BRB, especialistas recomendam que os clientes solicitem o contrato, identifiquem o credor e formalizem pedidos de correção. A normalização, portanto, depende da validação dos dados e da retomada do fluxo de informações entre liquidante e banco, etapa decisiva para corrigir os registros no SCR.