Brasileiros ainda têm bilhões parados no sistema financeiro e valor só cresce, saiba como sacar

O dinheiro esquecido bancos atingiu R$ 10,27 bilhões e segue concentrado principalmente em instituições financeiras. Dados do Banco Central mostram que a maioria dos valores é baixa, mas o número de pessoas e empresas com recursos a receber continua em alta. Continue lendo e saiba mais.
dinheiro esquecido bancos no Sistema de Valores a Receber
Sistema do Banco Central reúne valores parados em instituições financeiras. (Foto: Reprodução)

O dinheiro esquecido em bancos voltou a crescer e alcançou R$ 10,27 bilhões, segundo atualização divulgada pelo Banco Central nesta terça-feira (10/02). O montante reúne recursos que permaneceram parados mesmo após o encerramento de vínculos dos clientes com bancos, assim como em consórcios e demais instituições financeiras.

Desse total, R$ 7,97 bilhões pertencem a pessoas físicas e R$ 2,29 bilhões a empresas. Além disso, o número de beneficiários também avançou e soma 49,59 milhões de brasileiros e 5,03 milhões de companhias. Apesar do volume elevado, a distribuição segue pulverizada: quase 75% dos registros envolvem valores de até R$ 10, enquanto apenas cerca de 2% superam R$ 1.000.

Dinheiro esquecido bancos e onde esses recursos se concentram

Apesar de bancos concentrarem a maior parcela do dinheiro esquecido, o valor concentrado em outras instituições financeiras pode chegar a casa dos bilhões. No quadro geral, temos:

  • Bancos, com R$ 6,12 bilhões ainda não resgatados.
  • Administradoras de consórcio, na sequência, com R$ 2,59 bilhões parados.
  • Cooperativas de crédito, com R$ 933,9 milhões
  • E instituições de pagamento, com cerca de R$ 337,7 milhões sem movimentação.

Financeiras e corretoras completam o levantamento, porém, com valores menores.

Segundo o Banco Central, esses recursos se originam de diferentes relações financeiras encerradas ao longo do tempo, entre elas:

  • Contas corrente ou poupança encerradas com saldo remanescente;
  • Tarifas cobradas indevidamente e não compensadas;
  • Recursos não procurados de consórcios encerrados;
  • Contas de pagamento pré ou pós-pagas desativadas;
  • Cotas de capital e sobras de cooperativas de crédito.

Desde a criação do Sistema de Valores a Receber (SVR), plataforma para consulta e saque de dinheiro esquecido em bancos e demais instituições, em 2022, a autoridade monetária informa que já devolveu R$ 13,35 bilhões a clientes e empresas. Porém, o estoque permanece elevado com a entrada recorrente de novos registros todos os anos

Como consultar e sacar valores pelo Sistema de Valores a Receber

O acesso ao SVR ocorre exclusivamente pelo site do Banco Central e combina uma etapa pública de consulta com autenticação reforçada quando há saldo disponível. O processo, portanto, foi desenhado para reduzir fraudes e centralizar a devolução de recursos.

Na prática, o funcionamento segue este fluxo:

  • A consulta inicial é feita com CPF ou CNPJ e dados básicos, sem login;
  • Caso haja valores, o acesso ao sistema exige conta Gov.br nível prata ou ouro;
  • Após aceitar o termo de ciência, o titular pode solicitar a devolução diretamente.

O dinheiro esquecido em bancos pode ser transferido de forma manual ou automática. Pessoas físicas que utilizam o CPF como chave Pix podem ativar o recebimento automático, permitindo crédito direto em conta. Já empresas, contas conjuntas e instituições fora do Pix continuam exigindo solicitação individual.

Dinheiro esquecido bancos e o significado institucional do estoque

Mesmo com valores individuais baixos na maioria dos casos, o dinheiro esquecido em bancos e demais instituições revela um padrão estrutural do sistema financeiro brasileiro. Pequenos saldos residuais, quando não monitorados, se acumulam ao longo dos anos e formam um estoque bilionário.

O SVR reduziu a fragmentação desse processo ao centralizar informações antes dispersas entre instituições. Ao mesmo tempo, expôs o distanciamento entre o cidadão e seus registros financeiros históricos, criando um mecanismo permanente de restituição que segue ativo enquanto novos valores continuam ingressando no sistema.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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