A dependência do dólar entrou no discurso internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (20/02), durante entrevista ao canal India Times, em Nova Déli. O presidente afirmou que o Brasil está disposto a negociar com parceiros comerciais em moedas próprias, desde que isso traga vantagem econômica.
Segundo Lula, não é obrigatório que acordos entre Brasil e Índia, ou com outros parceiros estratégicos, sejam fechados em moeda americana. “Ninguém tem que depender do dólar”, declarou. Ele reconheceu que a transição é complexa, mas defendeu que o debate precisa começar.
Dependência do dólar no comércio internacional
Ao abordar a dependência do dólar, Lula afirmou que países devem avaliar qual moeda atende melhor aos seus interesses. Para ele, bancos centrais, reservas internacionais e ministérios da Economia precisam analisar a viabilidade técnica antes de qualquer implementação.
O presidente citou a possibilidade de negociações com China e Europa utilizando moedas nacionais. A adoção de moedas locais, segundo ele, dependerá da avaliação sobre ganhos em comércio exterior, balança comercial e custos de câmbio.
Debate sobre desdolarização e pressões tarifárias
O debate sobre a dependência do dólar americano ocorre em um ambiente de tensão comercial. Desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, impôs tarifas a diversos países, incluindo o Brasil, governos passaram a discutir alternativas à concentração das exportações no mercado americano.
A própria medida de Trump, inclusive, não foi totalmente benéfica aos Estados Unidos e foi derrubada nesta sexta-feira (20/02) pelo Congresso nacional.
Além disso, a China tem ampliado acordos em yuan como parte de sua estratégia financeira internacional. Trump já classificou iniciativas desse tipo como ameaça à liderança econômica dos EUA, segundo declarações públicas do próprio presidente americano.
Dependência do dólar e soberania econômica
Durante a visita à Índia, Lula também confirmou que discutirá com Trump, em março, temas como combate ao narcotráfico e exploração de minerais críticos e terras raras. Nesse ponto, ele vinculou o debate monetário à soberania econômica.
“O Brasil venderá para quem quiser vender e não aceitará imposições”, afirmou. Segundo o presidente, qualquer negociação envolvendo cadeias produtivas estratégicas deverá preservar o processamento industrial no país.
Ao insistir na redução da dependência do dólar, Lula insere o Brasil em uma discussão mais ampla sobre arquitetura financeira global. Embora o dólar permaneça como principal moeda de reserva, o debate sobre alternativas ganha espaço em meio à busca por maior autonomia nas decisões econômicas.