O esperado corte da taxa Selic entrou oficialmente no radar do Banco Central na terça-feira (03/02), quando a ata do Comitê de Política Monetária confirmou que a autoridade monetária pretende iniciar a flexibilização dos juros na reunião de março. A sinalização, porém, veio acompanhada de um recado claro: mesmo com a redução, a política monetária seguirá em terreno restritivo.
Na reunião mais recente, em 28 de janeiro (28/01), o Copom manteve a taxa básica em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva. O patamar, portanto, permanece como o mais elevado desde julho de 2006 e reflete a avaliação de que, embora a inflação apresente melhora, o ambiente ainda exige prudência na condução dos juros.
Corte da Selic e a estratégia do Copom
Ao detalhar sua estratégia, o Banco Central destacou que o início do corte da Selic depende da confirmação do cenário esperado para a inflação. A autoridade monetária evitou indicar a magnitude da redução e afirmou que o ritmo do ciclo dependerá da evolução dos dados ao longo dos próximos meses.
Definida pelo Conselho Monetário Nacional, a meta de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Para este ano, a mediana das projeções do mercado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 3,99%, dentro da banda. Ainda assim, o BC avalia que a manutenção de juros elevados segue necessária para garantir a convergência ao objetivo central de corte da Selic.
Redução dos juros básicos e atividade econômica
Na leitura do Copom, a economia doméstica apresenta desaceleração gradual, embora ainda opere acima do seu potencial. Setores mais sensíveis às condições financeiras já mostram perda de fôlego, enquanto áreas ligadas à renda continuam aquecidas.
O mercado de trabalho segue como ponto de atenção. O Banco Central observa desemprego em níveis historicamente baixos e crescimento dos rendimentos reais acima da produtividade. Segundo a ata, essa combinação pode pressionar preços correntes e expectativas, o que limita a velocidade do corte da Selic.
Corte da Selic, cenário externo e política fiscal
O Copom também reforçou que o ambiente internacional impõe cautela adicional no que diz respeito a cortes da taxa Selic. A política econômica dos Estados Unidos, somada às tensões geopolíticas, influencia as condições financeiras globais e afeta países emergentes como o Brasil.
No plano doméstico, o Banco Central destacou o papel das contas públicas. Para o Comitê, a política fiscal molda a confiança dos investidores e interfere no prêmio de risco exigido para financiar a dívida. O enfraquecimento de reformas e o avanço do crédito direcionado, segundo o BC, podem elevar a taxa de juros neutra e encarecer o combate à inflação.
Para o mercado financeiro, conforme o Boletim Focus, o corte da Selic deve levar a taxa para 14,5% ao ano já em março, com expectativa de 12,25% no fim de 2026. A ata deixa claro, porém, que a trajetória dependerá de disciplina fiscal, inflação sob controle e previsibilidade das políticas econômicas.