A carga tributária da construção civil ocupou o primeiro lugar entre os principais entraves do setor no quarto trimestre de 2025, segundo sondagem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira (28/01). Segundo o levantamento, o fator foi citado por 37,2% dos empresários, superando as taxas de juros e os problemas ligados à mão de obra.
O dado mais recente consolida o diagnóstico do encerramento de 2025, período marcado por desaceleração da atividade. Em dezembro, o índice de evolução do nível de atividade recuou para 44,7 pontos, o menor patamar para o mês desde 2018, indicando queda disseminada na produção do setor.
Carga tributária da construção civil concentrou pressão fiscal
Ao longo de 2025, a carga tributária da construção civil ganhou espaço entre os principais entraves do setor. No quarto trimestre, as menções ao peso dos tributos avançaram pelo quarto período consecutivo, consolidando a leitura de pressão fiscal acumulada sobre as empresas.
Esse ambiente teve reflexo direto sobre os resultados. O índice de satisfação com o lucro operacional permaneceu abaixo da linha de 50 pontos no quarto trimestre, ao marcar 45,1 pontos. A avaliação da situação financeira também seguiu negativa, ainda que com leve aproximação da linha divisória, segundo a sondagem empresarial.
Crédito restrito e custos elevados limitaram o setor
Com a tributação na construção civil, a indústria encerrou 2025 sob restrições financeiras relevantes. O índice de facilidade de acesso ao crédito atingiu 39,0 pontos no quarto trimestre, patamar que indica dificuldade ampla para financiar operações e sustentar o fluxo de caixa.
Mesmo com a utilização da capacidade operacional estável em 67% em dezembro, o número de empregados recuou no mês. A combinação entre impostos elevados, juros altos e crédito limitado formou um ambiente adverso para empresas de todos os portes no fechamento do ano.
Expectativas para 2026 seguem condicionadas à carga tributária da construção civil
No início de 2026, as expectativas dos empresários melhoraram. Os índices de novos empreendimentos, nível de atividade e emprego ficaram acima da linha de 50 pontos, indicando projeções de expansão no curto prazo, conforme a sondagem da CNI.
Ainda assim, a carga tributária da construção civil permaneceu como variável central para a consolidação desse cenário. A avaliação predominante no setor é que a confirmação dessas expectativas depende de ajustes no ambiente fiscal e financeiro. Portanto, capazes de reduzir custos operacionais e ampliar a previsibilidade das decisões de investimento.