Carga tributária da construção civil liderou entraves do setor no fim de 2025, diz CNI

A carga tributária da construção civil liderou os entraves do setor no fim de 2025, superando juros e crédito, em um ambiente de atividade fraca e expectativas mais favoráveis no início de 2026. Continue lendo e saiba mais.
Obras da construção simbolizando carga tributária da construção civil como maior entrave do setor, segundo CNI
Peso dos tributos liderou os entraves enfrentados pela indústria da construção no encerramento de 2025. (Foto: Reprodução)

A carga tributária da construção civil ocupou o primeiro lugar entre os principais entraves do setor no quarto trimestre de 2025, segundo sondagem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira (28/01). Segundo o levantamento, o fator foi citado por 37,2% dos empresários, superando as taxas de juros e os problemas ligados à mão de obra.

O dado mais recente consolida o diagnóstico do encerramento de 2025, período marcado por desaceleração da atividade. Em dezembro, o índice de evolução do nível de atividade recuou para 44,7 pontos, o menor patamar para o mês desde 2018, indicando queda disseminada na produção do setor.

Carga tributária da construção civil concentrou pressão fiscal

Ao longo de 2025, a carga tributária da construção civil ganhou espaço entre os principais entraves do setor. No quarto trimestre, as menções ao peso dos tributos avançaram pelo quarto período consecutivo, consolidando a leitura de pressão fiscal acumulada sobre as empresas.

Esse ambiente teve reflexo direto sobre os resultados. O índice de satisfação com o lucro operacional permaneceu abaixo da linha de 50 pontos no quarto trimestre, ao marcar 45,1 pontos. A avaliação da situação financeira também seguiu negativa, ainda que com leve aproximação da linha divisória, segundo a sondagem empresarial.

Crédito restrito e custos elevados limitaram o setor

Com a tributação na construção civil, a indústria encerrou 2025 sob restrições financeiras relevantes. O índice de facilidade de acesso ao crédito atingiu 39,0 pontos no quarto trimestre, patamar que indica dificuldade ampla para financiar operações e sustentar o fluxo de caixa.

Mesmo com a utilização da capacidade operacional estável em 67% em dezembro, o número de empregados recuou no mês. A combinação entre impostos elevados, juros altos e crédito limitado formou um ambiente adverso para empresas de todos os portes no fechamento do ano.

Expectativas para 2026 seguem condicionadas à carga tributária da construção civil

No início de 2026, as expectativas dos empresários melhoraram. Os índices de novos empreendimentos, nível de atividade e emprego ficaram acima da linha de 50 pontos, indicando projeções de expansão no curto prazo, conforme a sondagem da CNI.

Ainda assim, a carga tributária da construção civil permaneceu como variável central para a consolidação desse cenário. A avaliação predominante no setor é que a confirmação dessas expectativas depende de ajustes no ambiente fiscal e financeiro. Portanto, capazes de reduzir custos operacionais e ampliar a previsibilidade das decisões de investimento.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

Veja também:

Algum fato relevante chamou sua atenção?

Envie fatos, registros e informações para análise da redação do J1 News.

Publicidade