O ranking do Brasil no IPC (Índice de Percepção da Corrupção) divulgado nesta terça-feira (10/02) confirma a permanência do país entre os piores desempenhos globais na percepção de corrupção. O Brasil obteve 35 pontos em uma escala de 0 a 100 e manteve a 107ª posição entre 182 países avaliados pela Transparência Internacional.
O resultado repete, na prática, o patamar de 2024, quando o país havia registrado 34 pontos. Segundo a organização, a variação de um ponto não altera a leitura geral e mantém o Brasil abaixo da média global e das Américas, ambas fixadas em 42 pontos.
Ranking do Brasil no IPC e a leitura internacional
A série histórica mostra que o Brasil não conseguiu recuperar o desempenho observado no início da década passada. As melhores notas foram registradas em 2012 e 2014, com 43 pontos. Desde então, o país passou a oscilar em níveis mais baixos, sem retomada consistente.
No comparativo internacional, o Brasil aparece próximo de países como Sri Lanka, com a mesma pontuação, e atrás de Argentina, Belize e Ucrânia. Já na outra ponta do ranking estão Dinamarca, Finlândia e Cingapura, enquanto Somália e Sudão do Sul ocupam as últimas posições.
Para a Transparência Internacional, o ranking do Brasil no IPC reflete um ambiente marcado por casos recorrentes de macrocorrupção e fragilidades institucionais persistentes. A entidade afirma que esses fatores continuam influenciando a avaliação de especialistas e executivos ouvidos pelo índice.
Posição brasileira no índice de corrupção
O IPC reúne a análise de até 13 fontes independentes que medem a percepção sobre práticas corruptas no setor público. No caso brasileiro, o índice considerou oito indicadores em 2025, o que limita comparações diretas com países avaliados por conjuntos diferentes de fontes.
Segundo Bruno Brandão, diretor executivo da Transparência Internacional – Brasil, em avaliação divulgada junto ao relatório, embora o Supremo Tribunal Federal (STF) tenha adotado respostas firmes em episódios ligados a ataques à democracia, o país também registrou escândalos de corrupção em grande escala e episódios de impunidade.
O relatório divulgado em paralelo ao índice cita investigações envolvendo emendas parlamentares, fraudes no INSS e o caso do Banco Master como exemplos de fatores que pressionam a percepção internacional sobre o país.
Ranking do Brasil no IPC e a disputa de narrativas
A Controladoria-Geral da União contestou a leitura do índice e destacou limites metodológicos do IPC. Segundo a CGU, o indicador não mede a ocorrência real de corrupção nem avalia políticas públicas, baseando-se apenas em percepções de grupos específicos.
O órgão sustenta que países que ampliam a transparência, intensificam investigações e fortalecem mecanismos de controle expõem mais problemas e, por isso, podem receber avaliações piores em índices desse tipo. A CGU cita aumento de operações, auditorias e valores recuperados como sinais de maior capacidade estatal.
Ainda assim, o ranking do Brasil no IPC mantém pressão sobre os Três Poderes e reforça o debate sobre integridade institucional, governança pública e credibilidade internacional. O resultado indica que ações isoladas não têm sido suficientes para alterar a percepção externa de forma duradoura.