O celular de Daniel Vorcaro levou a Polícia Federal a encaminhar novos elementos ao Supremo Tribunal Federal na segunda-feira (10/02), após identificar conversas que citam o ministro Dias Toffoli, relator do caso. Por isso, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou pessoalmente o material ao presidente da Corte, Edson Fachin.
Segundo apuração confirmada pelo SBT News, os peritos já concluíram parte da análise técnica. Ou seja, a equipe conseguiu extrair e organizar dados de alguns aparelhos apreendidos. No entanto, os investigadores ainda examinam outros dispositivos. A apuração integra a Operação Complice Zero e investiga fatos ligados à liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro.
Confira mais informações no vídeo sobre a citação de Toffoli no celular de Vorcaro:
Celular de Daniel Vorcaro e a reação do STF
A equipe técnica extraiu dados do celular de Daniel Vorcaro e localizou diálogos que mencionam o relator do processo. Diante disso, a Polícia Federal levou o material à presidência do STF para que a Corte avalie possíveis medidas formais.
No Supremo, ministros podem declarar impedimento ou suspeição de Toffoli quando surge dúvida objetiva sobre imparcialidade. Contudo, a existência de contatos não caracteriza irregularidade automática. Ainda assim, o tribunal pode examinar o contexto das conversas antes de decidir qualquer providência. Até o momento, ninguém divulgou o teor das mensagens.
Segundo nota divulgada pelo gabinete do Ministro Dias Toffoli o fato divulgado não passam de ilações.
“O gabinete do Ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte”, disse a nota.
Debate jurídico ampliado
O aparelho apreendido tornou-se peça central da investigação. De acordo com a comentarista Basília Rodrigues do SBT News, “parte da perícia já chegou ao fim”, o que abre caminho para novos desdobramentos técnicos. Portanto, a PF pode solicitar análises adicionais conforme avançam as extrações.
No fim do ano passado, autoridades prenderam Daniel Vorcaro por alguns dias. Depois, ele deixou a prisão ao afirmar que não pretendia sair do país. Em dezembro, o banqueiro prestou esclarecimentos à Polícia Federal e ao Supremo. Paralelamente, investigadores analisam tentativas de evitar a liquidação da instituição financeira.
Próximos passos no Supremo
O envio do conteúdo do celular de Daniel Vorcaro à presidência do STF ocorre em meio a discussões internas sobre padrões de conduta de magistrados. Edson Fachin já defendeu a definição de critérios mais claros sobre relacionamento institucional e transparência.
Agora, o Supremo precisará decidir se mantém a relatoria atual ou se adota outra providência formal. Em síntese, o alcance do celular de Daniel Vorcaro dependerá da análise técnica das mensagens e das decisões institucionais que o tribunal tomar nas próximas etapas.
O Tribunal de Contas da União (TCU) passou a ser alvo de críticas após as medidas adotadas pelo ministro Jhonatan de Jesus no caso da liquidação do Banco Master.