Em meio ao avanço de apurações formais no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Buzzi se defende das acusações de importunação sexual em uma carta enviada aos colegas do Superior Tribunal de Justiça (STJ) nesta segunda-feira (09/02), na qual nega irregularidades e afirma confiar na demonstração de sua inocência nos procedimentos em curso.
O posicionamento ocorre enquanto o CNJ confirmou a abertura de nova reclamação disciplinar e a colheita de depoimento de uma segunda mulher, em apuração que tramita sob sigilo. Além do CNJ, o caso também chegou ao STF, em razão do foro do magistrado.
Marco Buzzi se defende e aposta na via institucional
Na carta, Marco Buzzi se defende ao afirmar que foi “impactado” pelas notícias e que soube das acusações de forma informal. O ministro sustenta que jamais adotou conduta incompatível com a magistratura e pede cautela na análise das denúncias, citando sua trajetória profissional e familiar.
Segundo o texto, o magistrado relata estar internado, sob acompanhamento cardíaco e emocional, e associa a divulgação antecipada das informações a um agravamento pessoal e ao desgaste da Corte. Ainda assim, declara confiar em uma apuração técnica e imparcial conduzida pelos órgãos competentes.
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Apurações paralelas no CNJ, STF e STJ
A jovem de 18 anos deu origem às investigações ao registrar ocorrência na Polícia Civil de São Paulo após relatar um episódio em 9 de janeiro, durante a estadia da família na casa de praia do ministro, em Balneário Camboriú (SC). A Polícia Civil comunicou o caso ao CNJ e remeteu o inquérito ao STF.
Além desse caso, uma nova denúncia foi formalizada no CNJ nesta semana. A Corregedoria informou que instaurou procedimento específico e ouviu a possível vítima. O conteúdo permanece protegido por sigilo legal, medida apontada como necessária para preservar os envolvidos.
Íntegra da carta enviada por Marco Buzzi aos ministros do STJ
Caros colegas,
Muito impactado com as notícias veiculadas e também por me encontrar internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional, até o momento estive calado.
De modo informal soube de fatos contra mim imputados, os quais igualmente repudio.
Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência.
Creio que nos procedimentos já instauradas demonstrarei minha inocência.
Tenho quase 70 anos de idade, trajetória pessoal e profissional ilibadas, casamento feliz, de 45 anos, que frutificou três filhas amorosas e minha família está coesa ao meu lado.
Jamais adotei conduta que envergonhasse a família ou maculasse a magistratura.
Esse histórico não é invocado como prova de inocência, mas como elemento relevante de coerência biográfica, o que clama por cautela redobrada na apreciação das graves acusações.
Sem ainda compreender as razões das imputações feitas, lamento todo esse grande sofrimento e também desgaste da nossa Corte, revelando que estou submetido a dor, angústia e exposição que ninguém desejaria vivenciar.
De consciência tranquila, mas alma muitíssimo agitada, ante a prematura divulgação de informações, agradeço aqueles que me franquearam o benefício da dúvida.
Confio que, por meio de apuração técnica e imparcial, os fatos serão plenamente esclarecidos.
Marco Buzzi se defende enquanto STJ gerencia crise interna
Paralelamente às apurações, o presidente do STJ convocou sessão extraordinária para discutir o caso. A Corte ainda avalia como lidar institucionalmente com a situação, que envolve um de seus ministros em exercício.
Marco Buzzi se defende também no plano administrativo ao apresentar atestados médicos e solicitar licença por 90 dias. O afastamento temporário altera a rotina do tribunal e adiciona um elemento sensível à condução interna do episódio.
No plano mais amplo, o caso expõe os mecanismos de controle do Judiciário e testa a capacidade das instituições de apurar denúncias graves envolvendo autoridades com prerrogativas, sem antecipação de juízos e com observância estrita do devido processo legal.