Trump impõe prazo e eleva pressão por fim da guerra da Rússia e Ucrânia

Trump pressiona Rússia e Ucrânia a fechar um acordo até junho, enquanto impasses territoriais persistem e ataques à infraestrutura energética mantêm a guerra sob forte tensão.
Trump pressiona Rússia e Ucrânia em negociação para encerrar a guerra
Líder da Ucrânia comenta pressão dos Estados Unidos para encerrar a guerra com a Rússia antes do verão. Foto: Mindaugas Kulbis/AP

Em meio à falta de avanços nas negociações e à intensificação dos ataques russos, o governo dos Estados Unidos passou a trabalhar com um calendário fechado para tentar destravar um acordo de paz. Nesse contexto, Trump pressiona Rússia e Ucrânia a encerrar a guerra antes do verão no hemisfério norte, que começa em junho, segundo afirmou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em declarações à agência Reuters, divulgadas neste sábado (07/02).

Segundo Zelensky, o governo americano estabeleceu um cronograma claro para as tratativas e indicou que intensificará a pressão diplomática caso não haja progresso até junho. O presidente ucraniano afirmou que os Estados Unidos defendem a conclusão de um acordo em poucas semanas e pretendem conduzir o processo com datas definidas.

Trump pressiona Rússia e Ucrânia no impasse territorial

O principal bloqueio permanece ligado às exigências territoriais de Moscou. A Rússia insiste que a Ucrânia ceda áreas do leste do país, especialmente o Donbas, além da península da Crimeia, anexada em 2014. Kiev rejeita qualquer discussão nesse sentido, segundo reiterou Zelensky.

As divergências também atingem a questão das garantias de segurança. Moscou se opõe à presença de forças ocidentais em solo ucraniano como parte de um eventual acordo, enquanto Kiev sustenta que mecanismos externos são necessários para assegurar o cumprimento de um cessar-fogo.

Ainda nesse contexto, Zelensky demonstrou ceticismo quanto à proposta americana de transformar o Donbas em uma zona econômica especial. Segundo ele, as partes apresentaram leituras distintas sobre o modelo, o que impediu qualquer convergência.

Ataques à rede elétrica ampliam pressão

Enquanto as negociações seguem travadas, a ofensiva russa continua. Zelensky informou que a Rússia lançou mais de 400 drones e cerca de 40 mísseis em ataques noturnos recentes contra a infraestrutura energética da Ucrânia, atingindo redes de transmissão, geração e distribuição.

A Ukrenergo, operadora estatal, afirmou que oito instalações em oito regiões foram atacadas. Subestações de alta tensão ligadas à produção nuclear sofreram danos, forçando todas as usinas sob controle ucraniano a reduzir a carga. Como resultado, o déficit de energia aumentou e os cortes programados foram ampliados em todo o país.

Trump pressiona Rússia e Ucrânia também com a retomada da proposta de um cessar-fogo específico para proibir ataques à infraestrutura energética. A Ucrânia declarou que aceita a pausa, desde que Moscou se comprometa. Zelensky, porém, lembrou que uma tentativa anterior durou apenas quatro dias.

Leia também: Acordo nuclear entre EUA e Rússia expira em meio a negociações por prorrogação

Negociações, economia e canais paralelos

Washington propôs realizar a próxima rodada de negociações trilaterais nos Estados Unidos, possivelmente em Miami, dentro de uma semana. A Ucrânia confirmou participação. Zelensky disse que os temas mais complexos ficariam reservados a uma eventual reunião entre os líderes.

O presidente ucraniano também revelou que a Rússia apresentou aos EUA uma proposta de cooperação econômica estimada em US$ 12 trilhões, apelidada por ele de “Pacote Dmitriev”, em referência ao enviado russo Kirill Dmitriev. Segundo Zelensky, qualquer acordo bilateral desse tipo não pode contrariar a Constituição ucraniana.

Apesar da falta de avanço político, houve progressos pontuais. EUA e Rússia criaram uma comissão militar de alto nível e acertaram a troca de 157 prisioneiros de guerra de cada lado, retomando um canal suspenso havia cinco meses.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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