Lula pode trocar vice após admitir revisão da chapa presidencial

Lula pode trocar vice após admitir publicamente a revisão da chapa. A posição de Alckmin, o peso de São Paulo e o cálculo com aliados nacionais entram no centro da estratégia para 2026.
Lula pode trocar vice em cenário político com presidente e vice em evento institucional
Declaração do presidente reacendeu discussões sobre a composição da chapa presidencial para 2026. Foto: Ricardo Stuckert

A composição da chapa presidencial para 2026 entrou no debate público após uma entrevista concedida ao UOL pelo presidente da República. Na quinta-feira (05/02), ao comentar o cenário político em São Paulo, Lula pode trocar vice ao afirmar que ainda não conversou com Geraldo Alckmin nem com Fernando Haddad sobre seus papéis no próximo pleito, sinalizando que o arranjo firmado em 2022 não está automaticamente definido.

O debate ganhou tração porque o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) avisou aliados que não pretende disputar nenhum cargo eletivo caso seja retirado da chapa. Segundo a Folha de S. Paulo, ele não apresentou a posição como ameaça de rompimento. Alckmin afirmou que apoiaria Lula mesmo sem concorrer, o que reforçou, entre petistas e pessebistas, a leitura de lealdade política construída desde a eleição de 2022.

Lula pode trocar vice e o peso de São Paulo

Dentro do PT, setores defendem que Lula pode trocar vice como forma de reorganizar a campanha em São Paulo. A ideia envolve montar uma frente eleitoral robusta no estado, com nomes competitivos para o Executivo e o Senado, capazes de puxar votos para a candidatura presidencial.

Nesse desenho, Alckmin é visto por petistas como um ativo eleitoral relevante no estado que governou por quatro mandatos. Ainda assim, aliados do vice indicam resistência a uma candidatura paulista, seja ao governo, seja ao Senado. O próprio Fernando Haddad, ministro da Fazenda, também tem afirmado que não pretende entrar na disputa estadual.

A fala de Lula ao UOL explicitou essa expectativa ao afirmar que Haddad e Alckmin “têm um papel para cumprir em São Paulo”, mesmo sem detalhar qual seria esse papel. A ambiguidade ampliou as leituras sobre uma eventual mudança no arranjo nacional.

Alternativas partidárias e cálculo nacional

Além do fator paulista, Lula pode trocar vice como parte de uma estratégia mais ampla de coalizão. Uma das hipóteses avaliadas nos bastidores envolve o MDB, partido da ministra do Planejamento, Simone Tebet, citado como possível beneficiário de uma vaga na chapa.

O caminho, porém, é complexo. Segundo a coluna Painel, da Folha, o MDB vive divisão interna: 17 dos 27 diretórios estaduais estariam afastados de Lula, enquanto apenas 10 mantêm alinhamento com o governo. Parte da cúpula emedebista também se aproxima do PSD, que abriga pré-candidatos ao Planalto.

Aliados de Alckmin ponderam que sua saída poderia gerar ruídos com o PSB. Eles também avaliam que a mudança reduziria a capacidade do governo de dialogar com setores do empresariado e do agronegócio. Essa interlocução se ampliou porque o vice acumulou a Vice-Presidência com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

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Lula pode trocar vice e o fator confiança

Apesar dos sinais públicos, Lula e Alckmin ainda não trataram diretamente da hipótese de mudança. O presidente costuma elogiar o vice em declarações públicas e o define como aliado qualificado. A confiança ganhou peso extra dentro do PT pelo histórico traumático da legenda com Michel Temer, que assumiu a Presidência após o afastamento de Dilma Rousseff em 2016.

Nesse contexto, Lula pode trocar vice se tornou menos uma decisão individual e mais um teste de equilíbrio entre estratégia eleitoral, alianças partidárias e memória institucional. O desfecho dependerá de como o presidente conciliará a busca por apoio ampliado com a preservação de uma relação política construída sob bases de confiança.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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