Ibaneis indicou nome ao BRB em redesenho do Conselho Fiscal antes da crise do Master

Ibaneis indica nome ao BRB para o Conselho Fiscal em decisão tomada antes da crise do Banco Master, hoje reavaliada à luz das investigações e do redesenho da governança do banco público.
Ibaneis Rocha, governador do DF, durante contexto de indicações ao Conselho Fiscal do BRB
Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal, indicou nome ao Conselho Fiscal do Banco de Brasília em 2024. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Em meio aos desdobramentos que mais tarde envolveriam o Banco Master, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), avançou sobre a estrutura de fiscalização do Banco de Brasília ao definir indicações para o seu Conselho Fiscal. Em 14 de novembro de 2024, Ibaneis indicou nome ao BRB (Banco de Brasília) para compor o Conselho Fiscal do BRB em um contexto anterior à crise do Master que só se consolidaria no ano seguinte.

Àquela altura, o BRB já mantinha operações relevantes com o Banco Master, incluindo a compra de carteiras de crédito iniciada na metade de 2024. Investigações federais passaram a examinar essas transações posteriormente, após identificarem ativos sem lastro adquiridos pela instituição pública.

Ibaneis indicou nome ao BRB e muda a leitura do Conselho Fiscal

O governador indicou sua chefe de gabinete, Juliana Monici Souza Pinheiro, para uma das vagas do Conselho Fiscal. O registro inicial classificou a indicação como representação dos acionistas preferencialistas. Esse grupo não integra o bloco de controle do banco, exercido formalmente pelo governo do Distrito Federal.

Posteriormente, o BRB alegou erro material na ata da assembleia e corrigiu o enquadramento da indicação. Com isso, Juliana passou a figurar como representante do controlador, alterando a configuração interna do colegiado e a vinculação institucional da conselheira dentro da estrutura de fiscalização.

Redesenho institucional e nova configuração

Na mesma assembleia de novembro de 2024, o governo do Distrito Federal apresentou os nomes dos advogados Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói de Sousa para vagas no Conselho Fiscal. A deliberação, no entanto, foi suspensa a pedido do próprio governo, até manifestação do Comitê de Elegibilidade do BRB.

A assembleia foi retomada em 12 de março de 2025, após o fundo Borneo FIP Multiestratégia, administrado pela Reag Investimentos, tornar-se acionista do banco. Nesse novo cenário, o fundo indicou os dois advogados para as vagas destinadas aos acionistas preferencialistas. A escolha ocorreu em disputa com outra chapa apresentada por investidores minoritários.

Ibaneis indica nome ao BRB e a reconfiguração antes do caso Master

O histórico revela uma mudança relevante na configuração das cadeiras do Conselho Fiscal. Embora o ato direto do governador tenha se limitado a uma indicação formal, outros nomes ligados ao campo político do governo acabaram integrando o colegiado por meio de um acionista privado, em momento posterior.

Duas semanas após a eleição dos advogados, em 28 de março de 2025, o BRB formalizou uma oferta de R$ 2 bilhões para adquirir parte do Banco Master. A operação foi barrada pelo Banco Central em setembro. Segundo a Polícia Federal, entre janeiro e junho de 2025, o banco teria adquirido R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes.

O Conselho Fiscal não delibera sobre operações societárias, mas fiscaliza atos da gestão, solicita informações e pode questionar demonstrações contábeis. Os negócios com o Banco Master foram aprovados pela diretoria e não registraram questionamentos do colegiado. À luz da crise posterior, decisões tomadas antes passam a ser reavaliadas sob maior escrutínio institucional.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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