Em meio aos desdobramentos que mais tarde envolveriam o Banco Master, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), avançou sobre a estrutura de fiscalização do Banco de Brasília ao definir indicações para o seu Conselho Fiscal. Em 14 de novembro de 2024, Ibaneis indicou nome ao BRB (Banco de Brasília) para compor o Conselho Fiscal do BRB em um contexto anterior à crise do Master que só se consolidaria no ano seguinte.
Àquela altura, o BRB já mantinha operações relevantes com o Banco Master, incluindo a compra de carteiras de crédito iniciada na metade de 2024. Investigações federais passaram a examinar essas transações posteriormente, após identificarem ativos sem lastro adquiridos pela instituição pública.
Ibaneis indicou nome ao BRB e muda a leitura do Conselho Fiscal
O governador indicou sua chefe de gabinete, Juliana Monici Souza Pinheiro, para uma das vagas do Conselho Fiscal. O registro inicial classificou a indicação como representação dos acionistas preferencialistas. Esse grupo não integra o bloco de controle do banco, exercido formalmente pelo governo do Distrito Federal.
Posteriormente, o BRB alegou erro material na ata da assembleia e corrigiu o enquadramento da indicação. Com isso, Juliana passou a figurar como representante do controlador, alterando a configuração interna do colegiado e a vinculação institucional da conselheira dentro da estrutura de fiscalização.
Redesenho institucional e nova configuração
Na mesma assembleia de novembro de 2024, o governo do Distrito Federal apresentou os nomes dos advogados Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói de Sousa para vagas no Conselho Fiscal. A deliberação, no entanto, foi suspensa a pedido do próprio governo, até manifestação do Comitê de Elegibilidade do BRB.
A assembleia foi retomada em 12 de março de 2025, após o fundo Borneo FIP Multiestratégia, administrado pela Reag Investimentos, tornar-se acionista do banco. Nesse novo cenário, o fundo indicou os dois advogados para as vagas destinadas aos acionistas preferencialistas. A escolha ocorreu em disputa com outra chapa apresentada por investidores minoritários.
Ibaneis indica nome ao BRB e a reconfiguração antes do caso Master
O histórico revela uma mudança relevante na configuração das cadeiras do Conselho Fiscal. Embora o ato direto do governador tenha se limitado a uma indicação formal, outros nomes ligados ao campo político do governo acabaram integrando o colegiado por meio de um acionista privado, em momento posterior.
Duas semanas após a eleição dos advogados, em 28 de março de 2025, o BRB formalizou uma oferta de R$ 2 bilhões para adquirir parte do Banco Master. A operação foi barrada pelo Banco Central em setembro. Segundo a Polícia Federal, entre janeiro e junho de 2025, o banco teria adquirido R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes.
O Conselho Fiscal não delibera sobre operações societárias, mas fiscaliza atos da gestão, solicita informações e pode questionar demonstrações contábeis. Os negócios com o Banco Master foram aprovados pela diretoria e não registraram questionamentos do colegiado. À luz da crise posterior, decisões tomadas antes passam a ser reavaliadas sob maior escrutínio institucional.