A isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil por mês, combinada com descontos aplicados às faixas seguintes, deve liberar R$ 26,2 bilhões na economia brasileira em 2026. A estimativa é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base em microdados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais).
Do total projetado, R$ 20,9 bilhões decorrem do aumento da renda disponível entre trabalhadores do setor privado com carteira assinada, enquanto R$ 5,3 bilhões estão associados a servidores públicos. O cálculo, portanto, considera vínculos formais ativos em 2024 e reflete mudanças diretas no valor líquido recebido mensalmente.
Isenção do Imposto de Renda e a redistribuição por setor
O estudo mostra que os efeitos da isenção do Imposto de Renda se concentram em setores com salários médios mais baixos e alta densidade de empregos formais. Nesses segmentos, a retirada do tributo alcança grande parte da força de trabalho e altera a composição da renda líquida.
Entre categorias trabalhistas que mais sentirão os impactos da isenção, segundo a estimativa do Dieese, temos:
- Comércio (91% isentos)
A elevada proporção reflete a predominância de ocupações com remuneração próxima ao piso. O ganho mensal tende a reforçar o consumo cotidiano, especialmente em centros urbanos. - Vestuário (95% isentos)
A quase totalidade dos trabalhadores deixa de recolher o imposto, o que reduz a diferença entre salário bruto e líquido em um setor intensivo em mão de obra. - Indústria têxtil (87% isentos)
O alívio tributário alcança operadores e trabalhadores fabris, com efeito relevante em regiões industriais dependentes desse segmento. - Metalúrgicos (71% isentos)
Mesmo com rendimentos médios mais elevados, a maioria passa a não pagar IR, ampliando a renda disponível em polos industriais.
ALém disso, outros segmentos, como químicos e extrativa, apresentam percentuais intermediários de isenção do Imposto de Renda, refletindo faixas salariais mais heterogêneas.
Da mudança legal ao impacto no contracheque
A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda decorre da Lei nº 1.087, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em novembro de 2025. O texto elevou o limite de isenção mensal para R$ 5 mil. Além disso, instituiu um desconto progressivo para rendimentos entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, suavizando a transição entre faixas tributárias.
Esse novo desenho alterou a incidência do imposto sobre a base mais numerosa do mercado formal. Segundo o Dieese, é a partir dessa mudança que o efeito aparece de forma direta no contracheque. Elevando, assim, a renda disponível sem necessidade de reajustes salariais.
Isenção do Imposto de Renda e o alcance no mercado formal
Ao todo, a medida beneficia diretamente 15,6 milhões de trabalhadores formais. Desse grupo, cerca de dez milhões deixam de pagar o imposto, enquanto aproximadamente cinco milhões passam a recolher valores menores. Entre os beneficiados, 12,8 milhões pertencem ao setor privado e 2,8 milhões são estatutários.
Além disso, o recorte por gênero indica maior alcance entre homens, com 8,9 milhões de beneficiados, frente a 6,2 milhões de mulheres. De toda forma, ao redistribuir renda nas faixas salariais mais numerosas, a isenção do Imposto de Renda reforça a circulação de recursos no mercado interno. E, alémdisso, altera a dinâmica de consumo ao longo de 2026.