Dono da Ultrafarma é denunciado por corrupção em esquema fiscal

Aparecido Sidney Oliveira, fundador e dono da Ultrafarma, é denunciado por corrupção após o MP-SP apontar pagamento de propinas fiscais para acelerar e inflar ressarcimentos de ICMS-ST entre 2021 e 2025. Continue lendo e saiba mais.
Aparecido Sidney de Oliveira, o dono da Ultrafarma é denunciado por corrupção em investigação do MP-SP
Ministério Público de São Paulo investiga esquema envolvendo restituições de ICMS-ST e servidores da Fazenda estadual. (Foto: Reprodução/Wiki)

Aparecido Sidney Oliveira, o dono da ultrafarma, responde a denúncia por corrupção após o Ministério Público de São Paulo apresentar à Justiça acusação formal contra o empresário na noite de quinta-feira (05/02). Segundo os promotores, ele pagou propinas a auditores fiscais entre 2021 e 2025 em um esquema ligado a ressarcimentos de ICMS-ST tratados como vantagem financeira indevida.

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate aos Delitos Econômicos (Gedec), os repasses ilícitos aceleraram a tramitação de pedidos da rede farmacêutica dentro da Secretaria da Fazenda paulista. Em condições normais, esse tipo de processo pode levar anos. Além disso, a Operação Ícaro, deflagrada em agosto de 2025, já havia prendido Sidney Oliveira naquela fase da investigação, porém, ele foi solto dias depois.

Dono da ultrafarma no esquema de ICMS-ST

A acusação contra o dono da Ultrafarma sustenta que a empresa utilizava o mecanismo de restituição do ICMS recolhido por substituição tributária quando o preço final de venda ficava abaixo do valor presumido. Embora a legislação autorize esse ressarcimento, o Ministério Público afirma que servidores públicos interferiram diretamente nos processos mediante pagamento de propinas em dinheiro.

Além do dono da Ultrafarma, os promotores também denunciaram ex-auditores da Receita estadual, como Artur Gomes da Silva Neto, apontado como articulador do esquema. E, além deles, Alberto Toshio Murakami, já aposentado e atualmente foragido. Segundo a denúncia, fiscais ampliaram de forma artificial os valores deferidos. O que permitiu ganhos acima do previsto em procedimentos regulares e gerou distorções no sistema tributário paulista.

Uso de créditos fiscais e distorção do ressarcimento

O Ministério Público afirma que a vantagem não se limitou à rapidez na liberação dos valores. Por meio de seu dono, após o deferimento, a Ultrafarma passou a negociar créditos fiscais com outras companhias. A prática, inclusive, é admitida apenas quando os créditos têm origem legítima. Nesse contexto, os investigadores avaliam que o ressarcimento passou a funcionar como instrumento financeiro.

Na avaliação dos promotores, essa dinâmica transformou a restituição tributária em um ativo negociável obtido de forma ilícita. A estimativa aponta que o esquema do dono da Ultrafarma movimentou ao menos R$ 1 bilhão em propinas entre 2021 e 2025, envolvendo também outros grupos do varejo.

Dono da ultrafarma e pressão sobre controles da Fazenda

Para o Ministério Público, a denúncia contra o dono da Ultrafarma amplia a pressão sobre os mecanismos de controle interno da Secretaria da Fazenda paulista. A acusação sustenta que processos técnicos complexos, quando concentrados em poucos agentes, ficam mais expostos a interferências indevidas.

Os promotores João Ricupero, Roberto Bodini, Murilo Perez e Igor Bedone assinaram a denúncia e agora, a Justiça analisa o recebimento da acusação. Enquanto isso, a Ultrafarma e a defesa de Aparecido Sidney Oliveira não se manifestaram até a publicação.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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