A última quinta-feira (05/02) o Grupo Mateus anunciou por meio de fato relevante que a cofundadora e integrante da família fundadora controladora, Maria Barros Pinheiros, realizou a doação de sua parte das ações do Grupo Mateus. A operação envolveu a transferência de 248,4 milhões de ações da companhia da cofundadora aos seus dois filhos, Ilson Mateus Rodrigues Junior e Denilson Pinheiro Rodrigues.
Os dois herdeiros receberam partes iguais dos papéis. Além disso, Maria Barros Pinheiro transferiu outros 106,4 milhões de ações com reserva de usufruto, mantendo para si os direitos econômicos e de voto sobre essa parcela.
Doação de ações do Grupo Mateus: como ficou a participação dos herdeiros no capital
Após a operação, Ilson Mateus Rodrigues Junior passou a deter 17,66% do capital total da companhia. Já Denilson Pinheiro Rodrigues ficou com uma participação de 18,84%, tornando-se o maior acionista individual entre os dois irmãos após a doação das ações do Grupo Mateus.
A diferença decorre da combinação entre ações doadas integralmente e papéis vinculados ao usufruto. Além disso, Maria Barros manteve sob seu controle parte relevante dos direitos, mesmo após a transferência da titularidade formal.
Doação ocorre em meio à oscilação as ações do Grupo Mateus
A doação de ações do Grupo Mateus foi comunicada em um momento de desempenho pressionado dos papéis da companhia no mercado. No final de 2025, as ações GMAT3 acumulavam queda fortes, refletindo ajustes contábeis, revisões de expectativas e maior cautela dos investidores.
Após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre (3T25), o papel chegou a recuar cerca de 25% em poucos pregões, mesmo com crescimento de receita e lucro, em razão de ajustes relevantes relacionados a estoques. O que, portanto, aumentou a sensibilidade do mercado a comunicados corporativos.
Leitura institucional e governança
Mesmo com a doação de ações Grupo Mateus, a manutenção do usufruto assegura à cofundadora o recebimento de dividendos e o exercício do voto sobre parte dos papéis, separando a titularidade jurídica da fruição econômica. Inclusive, grupos familiares listados utilizam com frequência esse instrumento em reorganizações patrimoniais.
Por fim, no fato relevante, a companhia esclareceu que não teve como objetivo alterar o controle ou a estrutura administrativa. Ilson Junior segue como presidente do conselho de administração, sem mudanças na governança da empresa.