Flávio Dino suspende pagamento de ‘penduricalhos’e dá 60 dias para revisão no serviço público

Dino suspende pagamento penduricalhos, impõe revisão nacional de verbas indenizatórias e cobra do Congresso regras claras para conter supersalários no serviço público.
Ministro do STF em reunião oficial após decisão sobre pagamento de penduricalhos no serviço público
Ministro do Supremo Tribunal Federal determinou a suspensão do pagamento de penduricalhos no serviço público em decisão de alcance nacional. Foto: Divulgação/PCdoB

Após analisar o uso de verbas indenizatórias no serviço público, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, decidiu agir. Na quinta-feira (05/02), Dino suspende o pagamento de ‘penduricalhos‘ ao determinar que os Três Poderes revisem e interrompam pagamentos sem base legal. A medida tem efeito imediato e alcança União, estados e municípios.

O despacho fixa prazo de 60 dias para que cada órgão detalhe a base legal, a finalidade e a comprovação de gasto de cada parcela paga a servidores. Benefícios que não atendam a esses critérios devem ser suspensos. O teto do funcionalismo permanece em R$ 46.366,19. Segundo o relator, classificações genéricas de indenização vêm sendo usadas para contornar esse limite.

Dino suspende pagamento penduricalhos e redefine indenizações

Ao fundamentar a decisão, Dino afirma que verbas indenizatórias só se justificam quando recompõem despesas efetivas do servidor no exercício da função. Segundo ele, a prática atual distorce esse conceito. Parcelas rotuladas como indenização passaram a funcionar como acréscimos permanentes de remuneração.

Na decisão, o ministro lista exemplos desses chamados “penduricalhos”. Ele cita licenças compensatórias convertidas em dinheiro. Menciona licenças-prêmio e férias acumuladas por decisão do próprio servidor e depois indenizadas. Inclui gratificações por acervo processual e pagamentos por acúmulo de funções na mesma jornada regular. Dino também aponta auxílios pagos sem comprovação de gasto, como auxílio-locomoção, auxílio-combustível, auxílio-educação e auxílio-saúde. Há ainda benefícios simbólicos, como auxílio-peru, auxílio-panetone e até auxílio-iPhone, que, segundo o relator, afrontam o decoro das funções públicas.

Para Dino, esse conjunto de práticas criou um sistema paralelo de remuneração. Esse modelo permite ganhos acima do teto constitucional. Além disso, esvazia o sentido do limite previsto na Constituição.

Expansão desigual e pressão por equiparação

A decisão destaca que a falta de uma regra nacional favorece interpretações distintas entre carreiras e Poderes. Segundo Dino, esse cenário estimula disputas por equiparação. Novos benefícios passam a ser criados para justificar ganhos semelhantes aos de outras categorias.

Nesse contexto, Dino suspende pagamento penduricalhos ao afirmar que a ampliação dessas parcelas alcançou patamares incompatíveis com os princípios da legalidade, moralidade e eficiência. Esses princípios constam do artigo 37 da Constituição. O relator sustenta que não há precedentes, no direito brasileiro ou internacional, para esse modelo de remuneração.

Dino suspende pagamento penduricalhos e cobra o Congresso

Além de atingir o Executivo, o Judiciário e o Legislativo, a decisão direciona cobrança direta ao Congresso Nacional. Dino determina a regulamentação uniforme das verbas indenizatórias admitidas como exceção ao teto. O ministro menciona uma emenda aprovada em 2024. Segundo ele, sem uma lei nacional objetiva, o sistema seguirá sujeito a distorções e desigualdades.

A liminar foi proferida dois dias após o Congresso aprovar reajustes e alterações em carreiras do Legislativo. Conforme informou a CNN, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia vetar o texto. Para o relator, a ausência de parâmetros claros amplia o impacto fiscal e fragiliza o controle sobre o uso do dinheiro público.

Dino suspende pagamento penduricalhos e amplia alcance institucional

O ministro analisou ação da Associação de Procuradores Municipais de São Paulo. Ao constatar descumprimento reiterado de entendimentos anteriores do STF, ele ampliou os efeitos da decisão. A liminar ainda será submetida ao plenário da Corte em 25 de fevereiro.

Ao final, Dino suspende pagamento penduricalhos como resposta a um modelo que transformou exceções em regra. Segundo o ministro, esse sistema consolidou ganhos incompatíveis com o teto constitucional. A decisão reposiciona o debate sobre salários públicos na agenda institucional do país.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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