O fim da escala 6×1 em debate no Congresso Nacional pode levar à eliminação de mais de 600 mil empregos formais no Brasil. A estimativa consta de um estudo do Centro de Liderança Pública (CLP), elaborado pelo economista Daniel Duque, especialista em mercado de trabalho.
Segundo o levantamento, a proposta de redução da jornada semanal, nos termos discutidos atualmente, tende a elevar o custo do trabalho por hora ao manter o salário mensal sem ajuste proporcional, o que pressiona decisões de contratação no setor formal.
Fim da escala 6×1 impactaria emprego formal
As projeções do estudo indicam que o fim da escala 6×1 provocaria uma queda de 1,1% no número de vagas com carteira assinada, o equivalente a 638.742 postos de trabalho formais. O impacto não seria homogêneo e atingiria com mais força setores intensivos em mão de obra.
Construção, comércio e agropecuária aparecem como os segmentos mais sensíveis, com redução estimada de 1,6% nas vagas formaais. De acordo com a análise, essas atividades têm menor margem para reorganizar turnos ou compensar custos adicionais.
De onde vem o debate sobre a fim da escala 6×1
A escala 6×1 é um regime de jornada em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e descansa um. No Brasil, ela é amplamente adotada em setores como comércio, serviços, construção e agropecuária, especialmente em atividades com funcionamento contínuo ou atendimento ao público.
O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou força a partir de propostas que defendem a redução do limite semanal de horas trabalhadas, sem redução proporcional do salário mensal. A discussão ocorre no Congresso e envolve alterações na legislação trabalhista, com foco no aumento do tempo de descanso. Porém, os efeitos econômicos da proposta ainda estão sob avaliação.
Produtividade baixa amplia o custo da redução de jornada
Além do efeito sobre o emprego, o estudo projeta que o fim da escala 6×1 causaria uma queda de 0,7% na produtividade por trabalhador. Para Daniel Duque, o aumento do custo do trabalho por hora atua como um limitador para ganhos operacionais em parte relevante das empresas.
O risco é ampliar uma defasagem já existente. Entre 2016 e 2025, a produtividade do trabalhador brasileiro cresceu, em média, 0,5% ao ano. Por outro lado, a média dos países emergentes foi de 1,5%, segundo dados consolidados analisados no levantamento.
Fim da escala 6×1 na atividade econômica
O estudo do CLP também estima que ao fim da escala 6×1, com o eventual recuo no emprego formal, levariam a uma queda de até 2% na produção do setor formal. Portanto, com impacto negativo de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB).
Segundo Duque, algumas empresas podem absorver o choque por meio de reorganização interna, redução de desperdícios e adoção tecnológica. Outras, porém, enfrentariam compressão de margens, repasse a preços ou redução de escala produtiva.
Para estimar esses efeitos do fim da escala 6×1, o economista utilizou como referência o caso de Portugal, onde a jornada semanal foi reduzida de 44 para 40 horas. Lá, a mudança resultou em aumento de 9,2% no salário-hora, queda de 1,7% no emprego, retração de 3,2% nas vendas e redução de 10,9% nas horas totais trabalhadas, indicando redistribuição de custos entre salários, emprego e produção.