O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, decidiu retirar da agenda uma reunião prevista para o dia 12/02 que abriria o debate formal sobre regras próprias de conduta no tribunal. A decisão fez com que Fachin adiasse a reunião sobre Código de Ética, encontro que ocorreria no início da nova gestão e incluiria um almoço institucional com os ministros, mas foi cancelado diante de avaliações internas de que o ambiente não estava propício para a discussão e poderia expor divergências no plenário.
Avaliações internas no STF indicaram que o ambiente não estava preparado para o debate. Segundo relatos de ministros, havia risco de confronto direto entre visões opostas, o que poderia expor divergências internas de forma pública e gerar desgaste institucional logo no início da nova administração.
Fachin adia reunião sobre Código de Ética e busca preservar coesão
Interlocutores do tribunal afirmam que a principal preocupação era evitar um esvaziamento político do encontro. A reunião não tinha caráter obrigatório, e parte dos ministros cogitava não comparecer. Ministros avaliavam que a falta de quórum exporia a fragilidade da proposta do presidente do STF.
Diante desse cenário, Fachin optou por retirar o tema da pauta imediata. A leitura predominante aponta que a presidência buscou preservar a coesão interna do tribunal. O objetivo foi evitar que divergências latentes se transformassem em um embate aberto entre ministros.
Debate sobre regras de conduta encontra resistências
A criação de um Código de Ética específico para o STF enfrenta resistências internas. Parte do plenário sustenta que os ministros já seguem normas gerais da magistratura e vê um código próprio como resposta a pressões externas ou críticas políticas.
Nos bastidores, esse entendimento alimentou o ambiente de tensão em torno do tema. Há também críticas à possibilidade de que novas diretrizes limitem a atuação individual dos ministros, leitura associada a uma ala do tribunal que vê a iniciativa como um risco de engessamento institucional.
Fachin adia reunião sobre Código de Ética e recalibra agenda
O adiamento ocorre em um momento sensível do Supremo. Na abertura do ano judiciário, Fachin reconheceu que o tribunal assumiu papel central nas decisões do Estado. Ele também defendeu a necessidade de autocorreção institucional como forma de buscar maior equilíbrio.
A elaboração do Código de Ética, sob relatoria da ministra Cármen Lúcia, integra esse esforço inicial da nova gestão para responder a questionamentos sobre transparência e conflitos de interesse. Segundo interlocutores, o tema não foi abandonado, mas só deve retornar à pauta após o Carnaval, quando houver avaliação de um ambiente menos tensionado.
Nesse contexto, o fato de que Fachin adia reunião sobre Código de Ética expõe as dificuldades internas para avançar em consensos no STF. O episódio indica que a agenda de autorregulação do tribunal dependerá menos de intenção política. O avanço do debate exigirá maior capacidade do colegiado de lidar com divergências sem ampliar fissuras já existentes.