Carol de Toni sai do PL após veto interno ao Senado em Santa Catarina

Carol de Toni sai do PL após veto à sua candidatura ao Senado em Santa Catarina. A decisão envolve pressão de aliados, entrada de Carlos Bolsonaro e redefinição das alianças para 2026.
Carol de Toni sai do PL durante disputa interna por vaga ao Senado em Santa Catarina
A deputada federal Carol de Toni durante sessão na Câmara, em meio ao veto do PL à sua candidatura ao Senado por Santa Catarina. Foto: Renato Araujo/Câmara dos Deputados

Carol de Toni sai do PL (Partido Liberal) após ter a candidatura ao Senado barrada pela direção nacional do partido, em meio à definição das vagas da legenda em Santa Catarina. A decisão foi comunicada na quarta-feira (04/02), durante reunião com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e altera o tabuleiro da direita no estado para as eleições de 2026.

Na conversa, a direção nacional do PL informou à deputada que reservará uma vaga para Carlos Bolsonaro e destinará a outra a um nome indicado pela federação entre União Brasil e Progressistas. Com essa decisão, a Executiva Nacional abandonou o compromisso assumido pelo diretório estadual de lançar Carol de Toni, mesmo após a entrada do filho do ex-presidente na disputa.

Carol de Toni sai do PL e muda a equação do Senado

Preterida, Carol de Toni sai do PL e passou a buscar outra legenda para manter o plano de concorrer ao Senado. A parlamentar confirmou que ainda avalia opções e que a definição deve ocorrer até 4 de abril, prazo final para filiações partidárias. Pessoas próximas relataram que a deputada comunicou diretamente à cúpula nacional a decisão de deixar o partido.

A exclusão ocorre apesar do peso eleitoral da deputada. Em 2022, ela foi a mais votada de Santa Catarina, com 227.632 votos, o equivalente a 5,72% do eleitorado. Desde o início do mandato, Carol de Toni vinha sinalizando internamente o interesse pela Casa Alta. O desgaste se intensificou após o anúncio da pré-candidatura de Carlos Bolsonaro, em novembro de 2025.

Leia também: Disputa no PL em SC se agrava com indicação de Carlos Bolsonaro ao Senado

Pressão de aliados e custo político

O arranjo imposto ao PL foi resultado de pressão direta de aliados. Segundo relatos de bastidores, União Brasil e Progressistas deixaram claro que apoiariam um adversário do governador Jorginho Mello caso não tivessem direito a uma vaga ao Senado. O risco incluía uma aliança com João Rodrigues, prefeito de Chapecó e pré-candidato ao governo pelo PSD.

Nesse cenário, Carol de Toni sai do PL porque a direção nacional priorizou a preservação da coligação estadual. Com a saída da deputada, o senador Esperidião Amin passou a ser o nome mais cotado para a vaga da federação. Ele articula a tentativa de reeleição desde o ano passado.

Carol de Toni sai do PL e amplia fissuras internas

Antes do rompimento, dirigentes do partido ventilaram a possibilidade de Carol integrar a chapa majoritária como vice-governadora, hipótese que a própria deputada negou publicamente. O impasse se aprofundou quando Jorginho Mello anunciou Adriano Silva, do NOVO, como vice, decisão que encerrou o espaço para negociações internas.

A saída de Carol de Toni do PL reflete uma escolha estratégica da legenda, voltada à preservação de alianças nacionais, mesmo ao custo de tensionar a base eleitoral em Santa Catarina. O efeito imediato é uma disputa ao Senado mais pulverizada em 2026.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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