CPMI do INSS adia depoimento de Daniel Vorcaro e reorganiza agenda

A CPMI do INSS adia depoimento de Daniel Vorcaro após pedido da defesa, mantém oitiva presencial e reorganiza a agenda em meio à reta final da investigação do Banco Master.
CPMI do INSS adia depoimento de Daniel Vorcaro durante sessão no Congresso
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, participa de sessão no Congresso em meio à investigação da CPMI do INSS. Foto: Reprodução/PF

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS adiou o depoimento de Daniel Vorcaro nesta terça-feira (03/02), após pedido formal da defesa do empresário. Dono do Banco Master, Vorcaro seria ouvido na quinta-feira (05/02), mas a presidência da comissão confirmou a remarcação para o dia 26, na semana seguinte ao Carnaval, com comparecimento presencial ao Congresso.

O adiamento ocorreu após os advogados alegarem que a intimação ocorreu às vésperas da sessão, o que poderia comprometer a razoabilidade do prazo e o direito de defesa. A comissão rejeitou o pedido para que a oitiva fosse realizada por videoconferência, mantendo a exigência de deslocamento a Brasília.

CPMI do INSS adia depoimento de Daniel Vorcaro e mantém formato presencial

Segundo o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), a decisão preserva o rito adotado pela CPMI do INSS em depoimentos considerados centrais. Ainda de acordo com Viana, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), assegurou que autorizará o deslocamento do empresário, apesar das medidas cautelares em vigor.

O senador também afirmou que Toffoli se comprometeu a liberar o acesso da comissão às quebras de sigilo de Vorcaro assim que a Polícia Federal concluir a compilação dos dados. O prazo estimado para essa etapa é de duas a três semanas, o que se sobrepõe ao calendário apertado da CPMI.

Parlamentares avaliam que, embora a convocação permaneça válida, o cronograma exige ajustes para garantir a oitiva de personagens considerados estratégicos antes do encerramento formal dos trabalhos, previsto para março.

Adiamento expõe tensão sobre ritmo e foco da comissão

Para o deputado Rogério Correia (PT-MG), o adiamento do depoimento de Daniel Vorcaro na CPMI do INSS amplia a pressão sobre a presidência do colegiado. Ele criticou a condução dos trabalhos. Além disso, defendeu a inclusão de outros nomes no calendário. Entre eles, citou o ex-sócio Fabiano Zettel e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Correia também alertou que a postergação pode limitar a capacidade da comissão de avançar sobre o eixo do crédito consignado envolvendo o Banco Master. O deputado Duarte Júnior (PSB-MA), vice-presidente da CPMI, confirmou que a agenda passa por reorganização interna.

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CPMI do INSS adia depoimento de Daniel Vorcaro em fase decisiva

Nos bastidores, a leitura predominante é que a decisão não altera o objeto da investigação, mas eleva o custo político de novos adiamentos. A expectativa é que a presidência anuncie, nos próximos dias, um cronograma concentrado para concluir as oitivas pendentes.

Com o prazo final se aproximando, a CPMI entra em uma fase em que cada sessão passa a influenciar diretamente a consistência do relatório final, tornando o adiamento um fator de tensão institucional relevante.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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