STM julga perda de patente de Bolsonaro e réus militares condenados pelo 8 de Janeiro

O STM julga perda de patente ao analisar pedidos do MPM contra militares condenados pelo STF por tentativa de golpe, em processo administrativo que pode resultar na cassação do oficialato.
STM julga perda de patente de Jair Bolsonaro e réus militares do 8 de Janeiro
Jair Bolsonaro aparece ao lado de militares das Forças Armadas; o STM julga perda de patente de réus condenados pelo STF por participação nos atos do 8 de Janeiro. Foto: Getty Images/AFP/F. Souza

O Superior Tribunal Militar (STM) abriu uma nova etapa institucional ao começar a receber as representações do Ministério Público Militar contra oficiais condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pelos atos de 8 de Janeiro, entre eles Jair Bolsonaro e outros réus militares de alta patente. O procedimento, no qual STM julga perda de patente, não reabre as condenações criminais nem discute penas, mas examina se a conduta já definida pelo STF é compatível com a permanência no oficialato das Forças Armadas.

O STM não reavalia crimes, penas ou provas. O tribunal examina se a conduta dos réus os torna indignos ou incompatíveis com o oficialato, conforme prevê a Constituição. O procedimento decorre do trânsito em julgado das condenações superiores a dois anos de prisão e pode resultar na cassação definitiva de posto e patente.

STM julga perda de patente sob rito constitucional

O procurador-geral da Justiça Militar apresenta as representações de forma individual. Após o protocolo, o tribunal sorteia relator e revisor, observando a composição cruzada entre ministros civis e militares. O relator concede dez dias para a apresentação da defesa escrita e, se não houver manifestação, designa um defensor público para atuar no processo.

Segundo a presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha, o tribunal enfrenta um teste institucional relevante. Para ela, a Corte passa a avaliar não a autoria dos crimes, mas a adequação da permanência desses oficiais nos quadros das Forças Armadas, em julgamento de natureza administrativa-disciplinar.

Análise administrativa sem revisão do STF

Embora STM julga perda de patente após condenações impostas pelo STF, não há revisão da decisão da Primeira Turma. O exame limita-se à idoneidade institucional do militar. Caso a representação seja deferida, a cassação do posto e da patente é obrigatória; se indeferida, o oficial mantém o vínculo.

O plenário do STM reúne 15 ministros, dez militares e cinco civis, e delibera com quórum mínimo de dois terços. A presidência só vota em caso de empate, quando aplica a decisão mais favorável ao réu. Após o trânsito em julgado, o tribunal comunica formalmente o comandante da Força responsável.

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STM julga perda de patente e redefine parâmetros

Entre os condenados estão Jair Bolsonaro, capitão da reserva do Exército, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, Braga Netto e Almir Garnier, todos já em cumprimento de pena. A eventual cassação implica perda do vínculo institucional, de prerrogativas e distinções associadas ao oficialato.

Em Brasília, avaliações apontam que a condução desses processos tende a influenciar a relação entre Forças Armadas, sistema de Justiça e a preservação da ordem constitucional. Ao final, quando STM julga perda de patente, o tribunal consolida um parâmetro institucional que separa, de forma nítida, a esfera penal da disciplina militar.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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