PF abre novo inquérito para apurar condutas no BRB ligadas ao Banco Master

O inquérito da PF contra o BRB foi ampliado após auditoria identificar novas irregularidades. A apuração envolve carteiras de crédito, governança e operações ligadas ao Banco Master. Continue lendo e saiba mais.
nquérito da PF contra o BRB investiga gestão do banco
Na imagem: Investigação da PF ao BRB em 2019, por caso de propina, marca série de inquéritos da PF contra o BRB. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Um novo inquérito da Polícia Federal (PF) contra o Banco de Brasília (BRB) foi aberto nesta terça-feira (03/01). O intuito da operação é uma nova apuração formal para investigar suspeitas adicionais de gestão fraudulenta no banco público do Distrito Federal. A decisão ocorreu após o envio à PF de um relatório preliminar de auditoria forense que apontou irregularidades além das já analisadas no caso Banco Master.

O ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o novo procedimento e encaminhou o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR). apurações, a iniciativa decorre de indícios de falhas graves em processos internos, envolvendo análise, aprovação e governança de operações financeiras de grande porte.

Inquérito da PF contra o BRB e os achados da auditoria

O inquérito da PF contra o BRB ganhou novo impulso após a conclusão da primeira etapa da auditoria forense contratada pelo banco junto ao escritório Machado & Meyer, com suporte técnico da Kroll. O relatório preliminar identificou “achados relevantes”, conforme admitido pelo próprio BRB em nota oficial.

O material foi entregue à Polícia Federal em 29/01 e ao Banco Central nessa segunda-feira (02/02). A partir dessas informações, os investigadores decidiram separar os fatos em um novo inquérito. Além disso, ampliando o escopo das apurações que já envolviam a relação do banco com o Banco Master.

A investigação busca identificar se práticas irregulares ocorreram de forma reiterada, e não apenas no contexto específico da tentativa frustrada de aquisição do Master. O foco, portanto, está na estrutura decisória do banco e nos mecanismos de controle utilizados à época das operações.

Operações com o Banco Master entram no radar

O inquérito da PF contra o BRB aponta que o banco desembolsou cerca de R$ 12 bilhões na compra de carteiras de crédito vinculadas ao Banco Master. Muitas delas, inclusive, sem garantias formais ou comprovação de titularidade. O prejuízo potencial ao banco público pode chegar a R$ 5 bilhões, segundo estimativas sob análise das autoridades.

Essas transações ocorreram no mesmo período em que o BRB tentava adquirir o próprio Banco Master, operação barrada pelo Banco Central. Paralelamente, o Master havia emitido aproximadamente R$ 50 bilhões em CDBs, oferecendo taxas acima do mercado sem demonstrar liquidez suficiente.

Parte desses recursos teria sido aplicada em créditos ligados à empresa Tirreno, ativos que não geraram desembolso real e, posteriormente, foram revendidos ao BRB por R$ 12,2 bilhões, sem documentação compatível, conforme apurado no inquérito da PF contra o BRB.

Inquérito da PF contra o BRB e implicações institucionais

Além do inquérito da PF contra o BRB, o caso mobiliza o Ministério Público, o Banco Central e a nova administração do banco. Em novembro, uma operação afastou o então presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, que acabou desligado do cargo.

O governo do Distrito Federal, acionista controlador do BRB, já sinalizou a possibilidade de aporte direto para cobrir eventuais perdas. O governador Ibaneis Rocha afirmou ter se reunido com Daniel Vorcaro, controlador do Master, entre 2024 e 2025, mas negou tratar da compra do banco nesses encontros.

Com a divulgação do próximo balanço financeiro, o BRB deverá detalhar os efeitos das operações questionadas. O desfecho do inquérito da PF contra o BRB tende a influenciar não apenas a governança do banco, mas também o debate sobre controles e riscos em instituições financeiras públicas.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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