Um novo inquérito da Polícia Federal (PF) contra o Banco de Brasília (BRB) foi aberto nesta terça-feira (03/01). O intuito da operação é uma nova apuração formal para investigar suspeitas adicionais de gestão fraudulenta no banco público do Distrito Federal. A decisão ocorreu após o envio à PF de um relatório preliminar de auditoria forense que apontou irregularidades além das já analisadas no caso Banco Master.
O ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o novo procedimento e encaminhou o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR). apurações, a iniciativa decorre de indícios de falhas graves em processos internos, envolvendo análise, aprovação e governança de operações financeiras de grande porte.
Inquérito da PF contra o BRB e os achados da auditoria
O inquérito da PF contra o BRB ganhou novo impulso após a conclusão da primeira etapa da auditoria forense contratada pelo banco junto ao escritório Machado & Meyer, com suporte técnico da Kroll. O relatório preliminar identificou “achados relevantes”, conforme admitido pelo próprio BRB em nota oficial.
O material foi entregue à Polícia Federal em 29/01 e ao Banco Central nessa segunda-feira (02/02). A partir dessas informações, os investigadores decidiram separar os fatos em um novo inquérito. Além disso, ampliando o escopo das apurações que já envolviam a relação do banco com o Banco Master.
A investigação busca identificar se práticas irregulares ocorreram de forma reiterada, e não apenas no contexto específico da tentativa frustrada de aquisição do Master. O foco, portanto, está na estrutura decisória do banco e nos mecanismos de controle utilizados à época das operações.
Operações com o Banco Master entram no radar
O inquérito da PF contra o BRB aponta que o banco desembolsou cerca de R$ 12 bilhões na compra de carteiras de crédito vinculadas ao Banco Master. Muitas delas, inclusive, sem garantias formais ou comprovação de titularidade. O prejuízo potencial ao banco público pode chegar a R$ 5 bilhões, segundo estimativas sob análise das autoridades.
Essas transações ocorreram no mesmo período em que o BRB tentava adquirir o próprio Banco Master, operação barrada pelo Banco Central. Paralelamente, o Master havia emitido aproximadamente R$ 50 bilhões em CDBs, oferecendo taxas acima do mercado sem demonstrar liquidez suficiente.
Parte desses recursos teria sido aplicada em créditos ligados à empresa Tirreno, ativos que não geraram desembolso real e, posteriormente, foram revendidos ao BRB por R$ 12,2 bilhões, sem documentação compatível, conforme apurado no inquérito da PF contra o BRB.
Inquérito da PF contra o BRB e implicações institucionais
Além do inquérito da PF contra o BRB, o caso mobiliza o Ministério Público, o Banco Central e a nova administração do banco. Em novembro, uma operação afastou o então presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, que acabou desligado do cargo.
O governo do Distrito Federal, acionista controlador do BRB, já sinalizou a possibilidade de aporte direto para cobrir eventuais perdas. O governador Ibaneis Rocha afirmou ter se reunido com Daniel Vorcaro, controlador do Master, entre 2024 e 2025, mas negou tratar da compra do banco nesses encontros.
Com a divulgação do próximo balanço financeiro, o BRB deverá detalhar os efeitos das operações questionadas. O desfecho do inquérito da PF contra o BRB tende a influenciar não apenas a governança do banco, mas também o debate sobre controles e riscos em instituições financeiras públicas.