ICE passa a usar câmeras corporais após mortes em Minneapolis e pressão no Congresso

ICE passa a usar câmeras corporais em Minneapolis após mortes de civis, em meio a disputa no Congresso sobre o orçamento do DHS e risco de shutdown do governo americano.
ICE passa a usar câmeras corporais durante operação em Minneapolis
Agente federal atua durante protesto em Minneapolis, cidade que motivou a decisão de que o ICE passa a usar câmeras corporais após mortes de civis. Foto: Patrick T. Fallon / AFP

Na esteira de duas mortes provocadas por agentes federais em menos de um mês e sob forte pressão política no Congresso, o governo Donald Trump anunciou nesta segunda-feira (02/02) que o ICE passa a usar câmeras corporais em operações de campo em Minneapolis. A decisão, divulgada pelo Departamento de Segurança Interna, entra em vigor imediatamente na cidade e ocorre em meio à disputa orçamentária que envolve o financiamento da pasta e o risco de paralisação do governo.

A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que todos os agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE) e da Customs and Border Protection (CBP) em atuação em Minneapolis receberão o equipamento. A cidade se tornou foco nacional após a morte de Renee Good, em 7 de janeiro. Em 24 de janeiro, Alex Pretti foi morto após ser atingido ao menos dez vezes, mesmo depois de já estar imobilizado.

ICE passa a usar câmeras corporais sob pressão política

A adoção obrigatória das câmeras ocorre em um contexto de impasse legislativo. O uso do equipamento estava entre as principais exigências da liderança democrata na negociação do orçamento do DHS. O órgão comanda o ICE e o CBP. O Congresso aprovou o financiamento do governo até setembro de 2026. Para a pasta de segurança, liberou recursos por apenas duas semanas.

Nesse intervalo, democratas buscam impor condicionantes adicionais às operações migratórias. Entre elas estão a proibição do uso de máscaras por agentes, a exigência de mandados judiciais para prisões e o fim de ações porta a porta sem alvos definidos. Segundo o senador Chuck Schumer, essas medidas serviriam para “conter o ICE” enquanto o Congresso avalia o próximo passo orçamentário.

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Uso de câmeras por agentes federais e o risco de shutdown

A decisão também dialoga com o risco imediato de paralisação administrativa. Com maioria apertada na Câmara e no Senado, a Casa Branca depende de votos da oposição para acelerar a tramitação e evitar um novo shutdown. Para isso, são necessários dois terços dos deputados, patamar difícil no atual ambiente político.

Republicanos mais alinhados à ala dura resistem à separação do financiamento do DHS do pacote principal, que inclui mais de US$ 800 bilhões destinados às Forças Armadas. Para esses parlamentares, aceitar exigências da oposição enfraquece a agenda migratória, uma das bandeiras centrais do governo Trump junto ao eleitorado.

ICE passa a usar câmeras corporais e amplia o custo institucional

Sob pressão de protestos nacionais e com investigação do Departamento de Justiça sobre a morte de Alex Pretti, o governo buscou reduzir o desgaste institucional. Nesse contexto, o ICE passa a usar câmeras corporais como resposta imediata. A ampliação do programa segue condicionada a recursos e a acordo no Congresso.

Ao tornar o uso do equipamento obrigatório, o governo tenta reduzir o desgaste institucional e ganhar margem de negociação no Congresso. Ainda assim, a expansão nacional dependerá de recursos e de um acordo político mais amplo.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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