CPI do Banco Master é protocolada com 201 assinaturas e mira operação bilionária envolvendo o BRB

A CPI do Banco Master reúne 201 assinaturas e aguarda aval da Presidência da Câmara. A comissão pretende apurar operação bilionária entre o banco e o BRB, com impacto político e institucional.
CPI do Banco Master investiga operação bilionária entre o banco e o BRB
Fachada do Banco Master, alvo de pedido de CPI na Câmara que investiga operação bilionária envolvendo o BRB. Foto: Getty Images

A CPI do Banco Master entrou formalmente na agenda do Congresso Nacional nesta segunda-feira (02/02), após o deputado federal Rodrigo Rollemberg protocolar o pedido de instalação da comissão na Câmara dos Deputados. O requerimento reúne 201 assinaturas, número bem acima do mínimo exigido pelo regimento interno, e aguarda agora decisão da Presidência da Casa para sair do papel.

O pedido foi apresentado em um cenário institucional considerado favorável. Atualmente, não há nenhuma comissão parlamentar de inquérito em funcionamento na Câmara, o que elimina entraves regimentais. Ainda assim, a instalação do colegiado depende de autorização direta do presidente da Casa, Hugo Motta, e de articulação entre os líderes partidários.

CPI do Banco Master e a operação bilionária

No centro da CPI do Banco Master está a negociação de aproximadamente R$ 12 bilhões em títulos e carteiras de crédito entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Segundo o deputado, o prejuízo potencial ao banco público pode chegar a R$ 5 bilhões. O valor acendeu alertas sobre riscos à gestão de recursos estatais.

Rollemberg afirma que um dos episódios mais sensíveis envolve a aquisição, pelo BRB, de R$ 12,2 bilhões em títulos classificados por ele como inexistentes. A operação, segundo sua avaliação, extrapola falhas administrativas e exige apuração parlamentar aprofundada, dado o impacto financeiro e institucional envolvido.

Resistência política e pressões institucionais

Apesar do cenário regimental, o deputado sustenta que há resistência política à CPI do Banco Master. Ele avalia que a investigação contraria interesses de setores do Congresso. Em sua leitura, o caso se conecta a iniciativas recentes voltadas à redução de instrumentos de controle e fiscalização do Estado.

Nesse contexto, Rollemberg citou tentativas de enfraquecimento da Polícia Federal e iniciativas legislativas que teriam pressionado o Banco Central durante a análise da compra do Banco Master pelo BRB. As declarações reforçam a leitura de que o caso ultrapassa o sistema financeiro e alcança o campo político-institucional.

Leia também: Depoimento do diretor do Banco Central expõe inconsistências no caso Master

Envolvimento do DF e disputa com CPMI

Outro ponto sensível citado pelo parlamentar envolve declarações atribuídas a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, que teriam indicado negociações diretas com o governador do Distrito Federal. Para Rollemberg, esse elemento amplia a necessidade de investigação e reforça o alcance político do caso.

Embora exista um pedido de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito no Senado, o deputado avalia que a CPI do Banco Master na Câmara é, no momento, o caminho mais viável. Segundo ele, não há sessão do Congresso convocada para a leitura do requerimento da CPMI. Já o pedido da Câmara está formalmente protocolado.

CPI do Banco Master e os próximos passos

Na avaliação de Rollemberg, a instalação da CPI do Banco Master depende agora de vontade política. Para o deputado, a pressão da sociedade será determinante para destravar o processo. Ele afirma que o objetivo é obter respostas claras sobre a operação entre o BRB e o Banco Master.

Ao citar declaração atribuída ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que classificou o episódio como a maior fraude bancária do país, o deputado reforça o peso institucional do caso. O desfecho da decisão na Câmara tende a indicar até onde o Congresso está disposto a avançar na fiscalização de operações financeiras envolvendo recursos públicos.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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