Starlink na Ucrânia altera o cálculo militar em meio às negociações de paz

A presença do Starlink na Ucrânia está impactando as negociações de paz entre Kiev e Moscou, especialmente após a SpaceX impor limitações ao seu uso por drones russos. Em um inverno rigoroso, essa tecnologia de comunicação revela-se fundamental para as operações militares ucranianas e pode influenciar táticas e acordos.
Conectividade via satélite Starlink na Ucrânia em meio ao conflito
Antena do sistema Starlink em área urbana da Ucrânia simboliza o papel da tecnologia nas operações militares e nas negociações diplomáticas. (Imagem: Ilustrativa)

O Starlink na Ucrânia passou a integrar o tabuleiro das negociações diplomáticas entre Kiev e Moscou neste domingo (01/02), às vésperas de uma nova rodada de conversas mediadas pelos Estados Unidos, marcada para os dias 4 e 5 de fevereiro, em Abu Dhabi. O governo ucraniano confirmou que o tema tecnológico entrou na agenda paralela do conflito, em um momento de pressão militar e energética intensa.

A discussão ganhou força após autoridades ucranianas confirmarem que a SpaceX adotou medidas para impedir o uso do sistema por drones russos. Segundo o ministro Mykhailo Fedorov, o diálogo com a empresa ocorreu poucas horas depois da identificação de equipamentos com conectividade via satélite sobre cidades ucranianas, o que levou a ajustes operacionais imediatos.

Operando por meio de uma constelação de satélites em órbita baixa, o sistema da Starlink oferece baixa latência e comunicação estável em áreas sem infraestrutura terrestre, o que explica sua aplicação direta no controle remoto de drones e na coordenação de operações militares.

Relatórios do Instituto para o Estudo da Guerra indicam que drones russos passaram a operar com terminais Starlink, ampliando seu alcance para até 500 quilômetros. A inteligência ucraniana sustenta que esses equipamentos não foram vendidos oficialmente, mas chegaram às forças russas por meio de importações indiretas e canais paralelos.

Para Kiev, um bloqueio amplo do Starlink na Ucrânia é inviável, já que o sistema sustenta comunicações, logística e resposta rápida das forças ucranianas. Por isso, as restrições foram direcionadas ao uso não autorizado.

Negociações sob inverno e crise energética

O debate ocorre em meio a um inverno rigoroso, com cerca de mil prédios sem aquecimento em Kiev e temperaturas de até –20°C. Embora a DTEK tenha restabelecido energia para 300 mil residências em Odessa, a Ukrenergo alertou para cortes em todo o país.

Mesmo após a Rússia declarar concordância em suspender ataques à infraestrutura energética por alguns dias, ataques com drones continuaram. Duas pessoas morreram em Dnipro, e uma maternidade foi atingida em Zaporizhzhia, segundo autoridades locais, ampliando a pressão humanitária sobre o governo de Volodymyr Zelensky.

Ao agradecer Elon Musk e a presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell, Kiev sinalizou alinhamento importante com o setor privado no apoio à guerra que o país trava contra a Rússia pela paz.

As negociações anteriores, também realizadas em Abu Dhabi, fracassaram no tema territorial. Moscou exige controle integral do Donbas, enquanto Kiev rejeita qualquer cessão de áreas não ocupadas. Nesse contexto, o Starlink na Ucrânia surge como variável adicional, ao influenciar tanto a capacidade militar quanto a disposição política das partes.

Conforme publicado pelo portal Economic News Brasil, a SpaceX pediu autorização ao governo dos Estados Unidos para lançar até um milhão de satélites capazes de processar dados diretamente no espaço, funcionando como centros de dados em órbita. O pedido foi feito na sexta-feira (31/01) à agência americana que regula as comunicações, a Federal Communications Commission (FCC). Isso será um grande avanço para a infraestrutura de dados mundial.

Foto de Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr. é jornalista e empreendedor, fundador do Sistema BNTI de Comunicação. Integra a equipe editorial do J1 News, com produção de conteúdos e análises voltadas às editorias de política, economia, negócios, tecnologia e temas de interesse público. Também atua editorialmente no Economic News Brasil e no Boa Notícia Brasil.

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