Plano de Demissão Voluntária dos Correios entra em nova fase do ajuste financeiro

O Plano de Demissão Voluntária dos Correios reabre inscrições com regras ampliadas e integra a estratégia de ajuste que busca reduzir custos, fechar agências e conter o déficit financeiro da estatal.
Diretoria dos Correios anunciado medidas de reestruturação, que incluem plano de demissão voluntária dos Correios
O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, acompanhado dos diretores da estatal, apresenta as medidas prioritárias do Plano de Reestruturação 2025–2027. Entre eles o PDV. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

O Plano de Demissão Voluntária dos Correios (ou PDV dos Correios) voltará a aceitar inscrições de colaboradores nesta semana, dentro da estratégia de reorganização econômico-financeira da estatal. Além disso, a adesão poderá ser feita até 31 de março, com desligamentos programados para serem concluídos até o fim de maio, segundo comunicação interna da empresa.

A iniciativa faz parte da Fase 1 do plano de reestruturação para o período de 2025 a 2027. O desenho busca reduzir despesas permanentes em um cenário de pressão fiscal prolongada, marcado, inclusive, por resultados negativos e deterioração de indicadores operacionais.

Plano de Demissão Voluntária dos Correios e o alcance esperado

Em comunicado divulgado em dezembro, a estatal informou que o Plano de Demissão Voluntária dos Correios tem potencial de adesão de até 15 mil empregados ao longo de 2026 e 2027. Com isso, a estimativa é de uma economia anual de R$ 2,1 bilhões em despesas de pessoal. Porém, com efeito pleno previsto apenas a partir de 2028.

Atualmente, os Correios contam com mais de 82 mil empregados próprios, além de cerca de 10 mil trabalhadores terceirizados. No ciclo anterior, em 2025, aproximadamente 3.500 funcionários aderiram ao plano. O número, porém, foi considerado abaixo do necessário para alterar de forma estrutural a trajetória de custos, segundo avaliação interna da empresa.

Novas regras do programa de desligamento voluntário

O novo plano amplia o público elegível ao eliminar o limite mínimo de idade, que antes restringia a adesão a empregados com 55 anos ou mais. Portanto, a partir de agora, qualquer trabalhador com pelo menos dez anos de vínculo pode participar, desde que cumpra os demais critérios estabelecidos.

Entre as exigências do Plano de Demissão Voluntária dos Correios estão:

  • A comprovação de remuneração por, no mínimo, 36 meses nos últimos 60 meses;
  • E a impossibilidade de adesão para quem completar 75 anos até a data do desligamento.

ALém disso, o incentivo financeiro segue o padrão aplicado no plano anterior, de acordo com a direção da estatal.

Plano de Demissão Voluntária dos Correios dentro do ajuste estrutural

Além do Plano de Demissão Voluntária dos Correios, a reestruturação prevê o fechamento de mil agências consideradas deficitárias e a venda de imóveis ociosos. A empresa opera hoje com mais de 10.350 unidades de atendimento e cerca de 1,1 mil centros de distribuição e tratamento espalhados pelo país.

O diagnóstico que sustenta o plano aponta déficit estrutural anual superior a R$ 4 bilhões, patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de R$ 6,057 bilhões até setembro de 2025. Para viabilizar o ajuste, os Correios anunciaram a captação de R$ 12 bilhões em crédito e projetam reduzir R$ 5 bilhões em despesas até 2028. Nesse contexto, o PDV dos Correios surge como peça central de um redesenho que busca alinhar custos, escala operacional e capacidade financeira no médio prazo.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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