O novo salário mínimo começou a valer em janeiro de 2026, mas o pagamento do valor reajustado entra de fato na conta dos trabalhadores a partir da folha salarial de fevereiro, esta semana. O piso nacional passou de R$ 1.518 para R$ 1.621, após reajuste confirmado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento em dezembro.
A diferença entre vigência legal e pagamento ocorre porque salários costumam ser quitados no mês seguinte ao período trabalhado. Assim, empregados que recebem o mínimo, além de aposentadorias, pensões e benefícios atrelados ao piso, passam a sentir o efeito do reajuste apenas agora.
Novo salário mínimo e o valor definido para 2026
O valor de R$ 1.621 representa um aumento nominal de R$ 103, equivalente a 6,79%. O cálculo partiu da regra que combina inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e crescimento econômico, dentro dos limites impostos pelo arcabouço fiscal.
Pelos cálculos técnicos, o piso chegaria a R$ 1.620,99. A legislação, porém, determina arredondamento para número inteiro, o que levou ao valor final do novo salário mínimo adotado em todo o país.
Como funciona a regra de reajuste do piso nacional
A fórmula prevê a reposição integral da inflação acumulada em 12 meses até novembro do ano anterior, que ficou em 4,18%. Além disso, considera o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, revisado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para alta de 3,4% em 2024.
No entanto, o arcabouço fiscal limita o ganho real acima da inflação a uma faixa entre 0,6% e 2,5%. Na prática, isso reduz o repasse do avanço do PIB ao salário mínimo, mesmo em anos de atividade econômica mais forte.
Novo salário mínimo e efeitos na economia
Segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o reajuste do piso deve injetar R$ 81,7 bilhões na economia ao longo do ano. O cálculo considera reflexos sobre renda, consumo e arrecadação.
Em um cenário de restrições fiscais, o novo salário mínimo mantém o poder de compra e sustenta parte da demanda, mas sem ampliar de forma expressiva o impacto sobre as contas públicas. O desenho reflete a tentativa do governo de equilibrar política social e controle do gasto.