Tensão militar entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz aumenta após exercícios iranianos

A tensão militar entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz avança após exercícios iranianos com munição real e alerta de Washington sobre riscos à segurança naval.
tensão militar entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz em pronunciamento de comandante iraniano
Autoridade militar iraniana durante declaração oficial em meio a exercícios no Estreito de Ormuz e ao aumento das tensões com os Estados Unidos. Foto: Exército do Irã/Divulgação/Agência Anadolu

A tensão militar entre os EUA e o Irã no Estreito de Ormuz ganhou novo contorno após o Exército dos Estados Unidos alertar Teerã sobre riscos de escalada associados a exercícios navais da Guarda Revolucionária iraniana com munição real. As manobras estão previstas para ocorrer entre domingo e segunda-feira em uma das rotas marítimas mais sensíveis do comércio global de energia.

O aviso foi divulgado pelo Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), responsável pelas operações militares americanas no Oriente Médio. Em comunicado, o órgão afirmou reconhecer o direito do Irã de operar em águas internacionais, mas destacou que qualquer conduta considerada insegura eleva o risco de colisões, instabilidade regional e confronto militar.

Tensão militar entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz é um ponto nevrálgico da geopolítica energética. Centenas de navios comerciais transitam diariamente pela passagem que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, escoando petróleo e gás de produtores como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos.

Nesse contexto, a decisão da Guarda Revolucionária Islâmica de realizar exercícios com disparos reais ampliou o nível de vigilância de forças americanas e de parceiros regionais. O braço militar é diretamente subordinado ao líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. A força não detalhou a composição da frota nem os sistemas empregados, mas confirmou o uso de armamento durante as manobras.

Escalada bilateral e reforço naval dos EUA

A tensão militar entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz ocorre em paralelo ao endurecimento do discurso do presidente norte-americano, Donald Trump. O chefe da Casa Branca tem reiterado que considera ações militares caso Teerã não aceite negociar limites ao seu programa nuclear.

Nas últimas semanas, Washington reforçou sua presença naval no Oriente Médio. O porta-aviões USS Abraham Lincoln foi deslocado para a área de responsabilidade do CENTCOM. Ao mesmo tempo, um destróier da Marinha dos Estados Unidos atracou no porto israelense de Eilat, como parte da cooperação militar contínua entre EUA e Israel.

Leia também: Trump ameaça Irã ao cobrar acordo nuclear e fala em ataque “muito pior”

Histórico recente de ataques e respostas controladas

Confrontos anteriores indicam que Teerã tende a responder de forma calibrada a ações americanas. Em junho de 2025, após ataques dos Estados Unidos a instalações nucleares iranianas, o Irã lançou mísseis contra a base aérea de al-Udeid, no Catar. Não houve mortes registradas.

Segundo o próprio Trump, o Irã avisou previamente sobre o ataque, o que permitiu a interceptação da maioria dos projéteis. Em janeiro de 2020, após a morte do general Qassem Soleimani, o Irã lançou mísseis contra a base de Ain al-Asad, no Iraque, também sem vítimas fatais.

Tensão militar entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz e risco de erro de cálculo

O momento atual adiciona camadas de instabilidade. O Irã enfrenta protestos internos reprimidos de forma violenta desde dezembro, com relatos de milhares de mortos segundo organizações de direitos humanos. Autoridades iranianas associam os distúrbios a ameaças externas e tratam a segurança como prioridade máxima.

Nesse cenário, analistas passam a tratar a tensão militar entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz como um teste de limites em um ambiente regional sensível. Os discursos se tornaram mais duros e a margem de manobra diminuiu. Com isso, aumenta o risco de erros de cálculo que podem ampliar a instabilidade em uma área estratégica para a economia global.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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