Novos documentos do caso Epstein citam Trump, Musk e Gates e amplia cobrança das vítimas

Os novos documentos do caso Epstein, divulgados com atraso pelo Departamento de Justiça, ampliam críticas das vítimas e reacendem disputas políticas sobre transparência e responsabilização nos Estados Unidos.
Novos documentos do caso Epstein incluem registros de encontros sociais com figuras públicas nos Estados Unidos
Jeffrey Epstein aparece em registro social ao lado de figuras públicas em imagem que integra os novos documentos do caso Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Foto: Reprodução

Os novos documentos do caso Jeffrey Epstein divulgados nesta sexta-feira (30/01) pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos reacenderam críticas das vítimas e ampliaram disputas políticas em torno do alcance real da transparência prometida pelo governo. O material reúne mais de 3 milhões de páginas, além de 2 mil vídeos e 180 mil imagens, no maior lote já tornado público sobre o financista acusado de tráfico sexual de menores.

A liberação ocorreu semanas após o prazo legal de 19 de dezembro, estabelecido pela Lei de Transparência dos Arquivos Epstein. Segundo o próprio Departamento de Justiça, o atraso decorreu de um processo amplo de triagem, que inicialmente identificou 6 milhões de páginas como potencialmente relevantes, mas acabou reduzindo o volume divulgado pela metade.

Novos documentos do caso Epstein e a resposta institucional

O procurador-geral adjunto Todd Blanche afirmou que a Casa Branca não participou da revisão do material. Segundo ele, não houve orientação externa sobre o que deveria ser censurado ou preservado. Blanche também negou qualquer proteção direcionada a figuras políticas citadas nos arquivos, incluindo o presidente Donald Trump.

De acordo com o Departamento de Justiça, parte do acervo contém denúncias não corroboradas, além de relatos classificados como falsos ou sensacionalistas, enviados ao FBI antes das eleições de 2020. Por essa razão, o Departamento de Justiça censurou imagens de mulheres e meninas, com exceção das que envolvem Ghislaine Maxwell, condenada a 20 anos de prisão por tráfico sexual.

Arquivos do caso Epstein, vítimas e a cobrança ao Congresso

Apesar do volume inédito, as vítimas de Epstein reagiram com forte insatisfação. Em carta assinada por 19 pessoas, algumas identificadas apenas por iniciais, elas afirmam que os arquivos permitem sua identificação enquanto “os homens que abusaram de nós permanecem ocultos e protegidos”.

O grupo exige a divulgação integral dos arquivos e cobra que a procuradora-geral Pam Bondi preste depoimento ao Congresso. Para as vítimas, a divulgação dos novos documentos do caso Epstein expõe um desequilíbrio entre a proteção institucional e a responsabilização dos envolvidos.

Figuras públicas citadas e limites jurídicos

Os documentos mencionam nomes como Elon Musk, Bill Gates, o ex-príncipe britânico Andrew e o secretário de Comércio Howard Lutnick. Em todos os casos, não há acusações formais. A Fundação Gates classificou as alegações atribuídas a Epstein como falsas, enquanto Musk reconheceu que mensagens antigas podem ser mal interpretadas.

Trump e o ex-presidente Bill Clinton também aparecem com frequência nos arquivos, mas nenhum foi acusado de crime. O presidente republicano criticou a divulgação, alegando risco de dano reputacional a pessoas que mantiveram contato social com Epstein sem envolvimento criminal.

Transparência sob pressão política

O caso ganhou novo fôlego após pressão interna no Partido Republicano, que levou Trump a sancionar a lei que determinou a divulgação dos arquivos. Mesmo assim, Blanche sinalizou que este deve ser o último grande lote disponível e minimizou a possibilidade de novas acusações.

Na prática, os novos documentos do caso Epstein reforçam os limites entre transparência legal, proteção das vítimas e disputa política. O debate agora se desloca para o Congresso, onde o relatório prometido pelo Departamento de Justiça deverá explicar o que permaneceu sob sigilo e por quê.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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