Terreno do Banco Master usado em acordo com o BRB entra sob suspeita pelo valor do repasse

O terreno do Banco Master usado no acordo com o BRB foi incorporado por R$ 22 milhões, mas aparece avaliado em R$ 118 milhões, mesmo com embargo ambiental e sem avanço do projeto imobiliário. Continue lendo e saiba mais.
terreno do Banco Master em Brumadinho avaliado em R$ 118 milhões
Terreno em Brumadinho integra ativos usados pelo Banco Master no acordo com o BRB (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Um terreno do Banco Master incluído no acordo firmado com o Banco de Brasília (BRB) passou a levantar questionamentos institucionais após aparecer avaliado em R$ 118 milhões, embora tenha sido incorporado ao banco privado por R$ 22 milhões. O ativo integra o conjunto usado para tentar compensar perdas de R$ 12,2 bilhões, objeto de apuração no Supremo Tribunal Federal (STF).

Localizado em Brumadinho (MG), o imóvel tem 137 hectares e consta nas demonstrações do fundo CMX Realty, antes controlado pelo Banco Master, como um empreendimento imobiliário denominado Pedra Histórica. Na prática, porém, a área permanece sem desenvolvimento e enfrenta restrições ambientais que afetam sua viabilidade.

Terreno do Banco Master e a base da avaliação

Em 2020, o antigo proprietário transferiu o imóvel ao Banco Master para quitar uma dívida de R$ 22 milhões. Desde então, não houve avanço concreto na implantação do projeto imobiliário previsto para a área.

Ainda assim, o fundo CMX Realty manteve o ativo avaliado em R$ 118 milhões. A precificação se apoia em um plano que projeta a criação de 205 lotes residenciais. Além de hotel, clube, hípica e áreas de lazer, estruturado por meio de participações societárias em duas empresas detentoras do terreno.

Embargo ambiental e entraves administrativos

Em 2024, uma vistoria da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Brumadinho identificou desmatamento irregular no terreno do Banco Master. Além de intervenção em área de preservação permanente e movimentação de solo sem autorização. A prefeitura determinou o embargo do empreendimento após a constatação das infrações.

A empresa responsável recorreu à Justiça para tentar reverter a medida. Porém, o município sustenta que a liberação depende do cumprimento integral das compensações ambientais previstas no trâmite administrativo, o que mantém indefinido qualquer cronograma de execução do projeto.

Terreno do Banco Master no acordo com o BRB

Mesmo diante do embargo, a avaliação do ativo não foi revista nas demonstrações do fundo. A defesa de Daniel Vorcaro afirma que o terreno do Banco Master estava regularmente registrado no balanço da instituição e submetido a auditorias periódicas, com precificação baseada em metodologias formais de avaliação e classificação de risco.

O caso se soma a outros ativos incluídos no pacote estimado em R$ 10 bilhões oferecido ao BRB, como um terreno em Contagem (MG) com venda bloqueada judicialmente, um fundo lastreado em clube com restrições e ativos do Will Bank, já liquidado. No conjunto, o terreno do Banco Master reforça o debate sobre critérios de aceitação e qualidade de ativos usados em operações com um banco público.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à cobertura do setor produtivo, indústria e investimentos, com base em experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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