Operação Transparência da PF apreende planilhas de emendas ligadas à Câmara com ex-assessora de Arthur Lira

A operação Transparência da PF apreendeu planilhas de emendas em endereços ligados a ex-assessora da Câmara e investiga como a destinação de recursos ocorreu antes e depois da proibição das RP9. Continue lendo e saiba mais.
Mariângela Fialek, advogada citada na operação Transparência da PF
Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, teve endereços alvo de buscas da Polícia Federal na operação Transparência. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A operação Transparência da PF resultou na apreensão de dezenas de planilhas com registros sobre emendas parlamentares em endereços ligados à advogada Mariângela Fialek, conhecida em Brasília como Tuca. A ação ocorreu em dezembro de 2025, por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino.

Mariângela Fialek atuou como assessora próxima de Arthur Lira durante o período em que ele presidiu a Câmara dos Deputados. As buscas atingiram a residência da advogada e um gabinete associado à Presidência da Casa. Além de documentos físicos, a Polícia Federal recolheu um computador antigo que concentrava a maior parte dos arquivos.

Operação Transparência da PF e o conteúdo das planilhas

As planilhas apreendidas reúnem informações detalhadas sobre emendas atribuídas a deputados federais. A apuração busca verificar se os registros permitem reconstruir a autoria das indicações e a forma como os recursos eram distribuídos internamente.

No escopo da operação Transparência da PF, os investigadores analisam se os dados se conectam às antigas emendas de relator, identificadas pela sigla RP9. Entre 2020 e 2022, esse mecanismo respondeu por cerca de R$ 45 bilhões empenhados, dos quais aproximadamente R$ 20 bilhões foram pagos sem identificação pública dos parlamentares responsáveis.

Organização das emendas e atuação da ex-assessora

Nos pedidos encaminhados ao STF, a Polícia Federal descreveu Mariângela Fialek como responsável pela organização e sistematização desses registros no período que coincide com a presidência de Arthur Lira na Câmara. Segundo a corporação, a atuação teria começado ainda durante a pandemia.

A investigação aponta que esse modelo dificultava a fiscalização de obras e contratos custeados com recursos públicos, além de impedir a mensuração do volume direcionado individualmente por cada deputado.

Operação Transparência da PF e o foco após a proibição das RP9

A operação Transparência da PF não se limita ao período anterior à decisão do STF que vedou as emendas de relator, em 2022. A apuração também investiga se agentes políticos mantiveram práticas semelhantes por meio das chamadas emendas de comissão.

Essa frente ganhou impulso após depoimentos de parlamentares de diferentes partidos, que relataram possíveis desvios envolvendo esse tipo de emenda. A Polícia Federal apura se houve reorganização informal do controle dessas verbas durante a presidência de Hugo Motta na Câmara dos Deputados.

No pano de fundo, o caso reforça o atrito institucional entre STF e Congresso em torno da transparência orçamentária. A análise das planilhas, portanto, pode esclarecer como esse arranjo funcionava na prática. Além disso, quais estruturas sobreviveram às mudanças determinadas pela Justiça, dentro da operação Transparência da PF.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à cobertura do setor produtivo, indústria e investimentos, com base em experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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