Moraes nega pedido de suspeição de Eike Batista para afastar Toffoli e mantém processo ligado ao BTG no STF

Moraes nega pedido de suspeição de Eike ao barrar ação contra Dias Toffoli e mantém no STF a disputa bilionária sobre debêntures usadas como garantia em acordo com a PGR.
Moraes nega pedido de suspeição de Eike em decisão do STF
Alexandre de Moraes negou pedido da defesa de Eike Batista para afastar Dias Toffoli da relatoria em processo ligado ao BTG no STF. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quinta-feira (29/01), sobre o pedido apresentado pela defesa de Eike Batista no processo ligado ao BTG Pactual. Durante o recesso do Judiciário, o ministro Alexandre de Moraes nega o pedido de suspeição de Eike ao rejeitar a arguição que buscava afastar Dias Toffoli da relatoria, mantendo o caso no STF sob segredo de Justiça.

A negativa representa o primeiro desdobramento institucional após a ofensiva da defesa do empresário, apresentada na semana anterior. Moraes classificou o pedido como incompatível com as hipóteses legais previstas no Código de Processo Civil para o afastamento de magistrados.

Ao analisar a arguição, Moraes afirmou que os fatos narrados não se enquadram nas situações objetivas de suspeição. A decisão afirmou que a legislação prevê cenários específicos, como vínculo direto com as partes, interesse no julgamento ou relações patrimoniais, e concluiu que esses requisitos não se aplicam ao caso.

Com isso, Moraes nega pedido de suspeição de Eike sem entrar no mérito do processo principal, limitando-se à admissibilidade formal da ação. O despacho foi proferido em sigilo, seguindo o rito do caso, que tramita fora da publicidade desde o início.

A decisão também preserva o papel institucional do presidente do STF na análise desse tipo de pedido. Embora Edson Fachin ocupe formalmente o cargo, Moraes exerce a função de forma interina durante o recesso.

Leia também: Eike Batista questiona imparcialidade de Toffoli e pede suspeição no STF ao apontar benefício ao BTG

Disputa bilionária segue sob relatoria de Toffoli

O processo envolve debêntures da Iron X Mineração S.A., ativo central oferecido como garantia patrimonial no acordo de delação firmado por Eike Batista com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A multa prevista é de R$ 800 milhões.

Em dezembro de 2024, Toffoli fixou o valor das debêntures em R$ 612 milhões, decisão contestada pela defesa, que estima o ativo em R$ 10 bilhões ao longo de 25 anos. O ministro também reconheceu o direito de preferência ao fundo Itaipava FIM.

Dois dias após essa decisão, o fundo aprovou emissão de cotas no valor de R$ 613 milhões, ponto que sustenta parte dos questionamentos apresentados pelos advogados do empresário.

Recursos avançam enquanto Moraes mantém decisão

Mesmo após Moraes negar pedido de suspeição de Eike, a disputa segue aberta em outras frentes. A defesa recorreu da decisão de Toffoli, enquanto a PGR questiona a autorização para venda dos ativos dados em garantia.

Ambos os recursos são analisados de forma virtual pela Segunda Turma do STF, com julgamento previsto para ser concluído em 6 de fevereiro. O colegiado avaliará os limites da operação financeira e os efeitos sobre a massa falida da MMX.

Ao negar a arguição, Moraes nega pedido de suspeição de Eike e consolida a separação entre questionamentos sobre imparcialidade e o mérito econômico do caso. O desfecho dos recursos deve indicar até onde o Supremo está disposto a avançar na revisão das decisões já tomadas.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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